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Rui Falcão aciona PGR contra edital dos EUA tem como meta atacar o judiciário brasileiro

Na avaliação de Falcão, o edital representa uma tentativa de ingerência político-financeira estrangeira no Brasil

O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) discursa no plenário da Câmara - 20/03/2024 (Foto: Zeca Ribeiro/Ag.Câmara)
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247 - O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) apresentou representação à Procuradoria-Geral da República e à Procuradoria-Geral Eleitoral para pedir a apuração de um edital do Departamento de Estado dos Estados Unidos voltado ao financiamento de ações no Brasil para atacar o judiciário brasileiro com falso argumento de censura. 

Segundo as informações encaminhadas pelo parlamentar, a iniciativa, intitulada “Countering Censorship and Judicial Overreach in Brazil”, é atribuída ao governo Trump e prevê o repasse de US$ 986.679, quase US$ 1 milhão, para organizações que desenvolvam atividades de “advocacy”, campanhas públicas, observatório jurídico, articulação internacional e litígios estratégicos relacionados ao tema.

Na avaliação de Falcão, o edital representa uma tentativa de ingerência político-financeira estrangeira no Brasil, com potencial para afetar o debate institucional, o ambiente digital e o processo eleitoral de 2026. O deputado sustenta que a defesa da liberdade de expressão não pode ser usada como justificativa para financiar redes privadas de pressão contra instituições brasileiras.

“O Brasil não é colônia digital nem protetorado de Trump”, afirmou Rui Falcão.

A representação aponta que o programa norte-americano pode estimular campanhas contra a regulação das plataformas digitais e contra decisões do Supremo Tribunal Federal e da Justiça Eleitoral. Para o parlamentar, a iniciativa ultrapassa o debate público legítimo e entra no terreno da interferência externa em temas de soberania nacional.

Falcão pede que o caso seja analisado nas esferas criminal, administrativa e eleitoral. A solicitação inclui eventual atuação da Polícia Federal, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, do Banco Central, da Receita Federal, do Itamaraty e da Procuradoria-Geral Eleitoral.

O deputado também solicita medidas preventivas no Tribunal Superior Eleitoral para impedir que recursos provenientes de um governo estrangeiro sejam usados, direta ou indiretamente, em benefício de partidos, pré-candidatos, candidatos ou campanhas nas eleições de 2026.

Na representação, Falcão argumenta que nenhum governo estrangeiro pode financiar, por meio de organizações não governamentais, influenciadores digitais, plataformas ou entidades privadas, uma operação política destinada a atacar o STF, pressionar a Justiça Eleitoral ou interferir na soberania popular brasileira.

O ponto central da contestação é o risco de que recursos externos sejam empregados para estruturar uma rede de atuação política, jurídica e digital em território nacional. O parlamentar afirma que esse tipo de financiamento poderia influenciar o debate público brasileiro em ano eleitoral e criar mecanismos privados de pressão contra autoridades e instituições.

O caso também ocorre em meio à intensificação das discussões sobre regulação das plataformas digitais, responsabilização de empresas de tecnologia e limites da atuação judicial em conteúdos publicados nas redes. Esses temas vêm ocupando espaço central no debate político brasileiro e têm sido alvo de disputas entre governo, oposição, big techs e setores do Judiciário.

A representação de Rui Falcão busca fazer com que a PGR e a Procuradoria-Geral Eleitoral avaliem se o edital configura violação à soberania nacional, risco ao processo eleitoral ou interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.

Até o momento, a iniciativa está no campo da representação apresentada pelo parlamentar. Caberá aos órgãos competentes decidir se há elementos para abrir apuração formal e quais medidas poderão ser adotadas diante do financiamento previsto pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

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