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Sâmia e Glauber apontam Flávio Bolsonaro como "marionete de Trump"

Parlamentares do PSOL acusam senador de subserviência aos EUA após carta de Marco Rubio citar “equipe de transição”

Glauber Braga, Marco Rubio, Flávio Bolsonaro e Sâmia Bomfim (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados | Reprodução/X/@FlavioBolsonaro | Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)
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247 - Os deputados federais Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Glauber Braga (PSOL-RJ) apontaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como uma “marionete de Trump” e acusaram o parlamentar de subserviência aos Estados Unidos, após a divulgação de uma carta do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que menciona uma possível “equipe de transição” oferecida pelo parlamentar brasileiro em caso de vitória na eleição presidencial.

Em postagem nas redes sociais neste sábado (27), Sâmia Bomfim afirmou que a resposta de Rubio a Flávio Bolsonaro representa “mais um episódio na trajetória golpista e de ameaça à soberania do Brasil representada pela extrema-direita”. 

Segundo Sâmia, a carta reforça a aproximação entre o bolsonarismo e o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em temas sensíveis para a economia e a política brasileira. “Nela, Rubio não apenas reafirma todas as mentiras do governo Trump, incluindo as ameaças contra o Pix e nossa soberania. Ele também manifesta ‘otimismo’ com as próximas eleições brasileiras, após o que teria ouvido de Flávio Bolsonaro no encontro recente em Washington”, escreveu a deputada.

A parlamentar sustentou que a movimentação aponta para uma tentativa de interferência dos EUA no processo político brasileiro. “O jogo é claro: os EUA pretendem contribuir em tudo que puderem para Flávio Bolsonaro vencer, com o compromisso deste em entregar as riquezas nacionais nas mãos do imperialismo”, afirmou.

Sâmia também criticou a menção feita por Rubio a uma “equipe de transição” que teria sido colocada à disposição do governo norte-americano. “A carta menciona até mesmo uma ‘equipe de transição’, que Flávio Bolsonaro já teria colocado à disposição dos EUA no caso de sua vitória. É muita cara de pau, subserviência aos EUA e ódio ao Brasil. Caberá ao nosso povo organizado responder nas ruas e nas urnas, frustrando esses planos nefastos”, declarou.

Glauber Braga também reagiu à correspondência e afirmou que o episódio revela riscos à soberania nacional caso Flávio Bolsonaro chegasse à Presidência da República. “Flávio Bolsonaro ofereceu equipe de transição a Rubio? Foi o que disse o secretário de Estado. Imagine se esse sujeito sentasse na cadeira de presidente?”, questionou.

Em seguida, Glauber classificou o senador como uma “marionete de Trump” e citou áreas estratégicas do país que, segundo ele, poderiam ficar vulneráveis a interesses estrangeiros. “Uma marionete de Trump com o staff dos EUA decidindo o que será feito com as terras raras brasileiras, com o petróleo, a Amazônia, os aquíferos… Não! Esse sujeito tem que ser responsabilizado por seus crimes, incluindo esse de alta traição à Pátria!”, escreveu o deputado.

A reação dos parlamentares ocorre após Marco Rubio responder oficialmente a uma carta enviada por Flávio Bolsonaro. Na correspondência, o secretário de Estado reafirmou o apoio do governo Trump à aplicação de novas tarifas comerciais contra o Brasil e à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

No trecho referente à disputa comercial, Rubio destacou que ainda há divergências relevantes entre Brasil e Estados Unidos e mencionou a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Segundo a carta, o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, teria deixado claro que os dois países enfrentam “diferenças substanciais” sobre a conclusão do processo.

Rubio também afirmou que Greer propôs a abertura de uma fase de consulta pública antes de uma decisão definitiva da administração norte-americana sobre eventuais sobretaxas a produtos brasileiros. A investigação do USTR é vista como etapa central para a adoção de novas medidas comerciais contra o Brasil.

No início da resposta, o secretário de Estado agradeceu a carta enviada por Flávio Bolsonaro e a visita do senador a Washington, ressaltando pontos de convergência entre ambos. Ao final, Rubio citou o otimismo que teria sido manifestado por Flávio em relação às eleições presidenciais brasileiras de outubro.

O ponto que provocou maior reação política foi a informação de que Flávio Bolsonaro teria colocado à disposição do governo norte-americano uma “equipe de transição” caso fosse eleito presidente da República. Rubio afirmou que a proposta foi registrada pelos Estados Unidos e disse que Washington estaria disposto a trabalhar com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro em uma estrutura de investimentos considerada mutuamente benéfica.

 

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