"Se os conservadores estão incomodados agora, eles que se preparem", diz Erika Hilton após vitória na Comissão da Mulher
Deputada do PSOL promete enfrentar misoginia, transfobia e violência
247 - A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que pretende transformar a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados em um espaço de enfrentamento à violência e de ampliação de direitos após ser eleita presidenta do colegiado na quarta-feira (11). Com o resultado, Hilton torna-se a primeira mulher trans a presidir uma comissão permanente da Câmara dos Deputados. A parlamentar destacou o significado político da vitória e respondeu às críticas de setores conservadores.
Em manifestação nas redes sociais após a vitória, Hilton reagiu às críticas à sua eleição. "Sim, sou Presidenta da Comissão da Mulher. E o fato disso incomodar mais do que a onda de violência contra a mulher que assola nosso país diz muita coisa", afirmou. A deputada também criticou setores que, segundo ela, utilizam ataques contra mulheres trans no debate político. "Para essa gente incomodada, o que importa não é defender a vida das mulheres. É ofender o direito à vida das mulheres trans e travestis", disse.
Hilton foi eleita no segundo turno da votação com 11 votos. Na primeira rodada, que exigia maioria absoluta, a deputada recebeu 10 votos, enquanto 12 integrantes da comissão registraram voto em branco. A eleição ocorreu por votação secreta e virtual.
Defesa de direitos e enfrentamento à violência
Hilton afirmou que mulheres trans têm avançado na ocupação de espaços institucionais e demonstrado capacidade de representar diferentes experiências femininas. "Mas nós, mulheres trans, avançamos, conquistamos espaços e, nestes espaços, mostramos que somos plenamente capazes de dialogar e representar mulheres", declarou.
A parlamentar também afirmou que não permitirá que o colegiado seja dominado por discursos de divisão. "Enquanto Presidenta, não permitirei que discursos que tentam nos dividir dominem essa Comissão que é de TODAS as mulheres", disse. Segundo Hilton, o trabalho da comissão terá como prioridade o enfrentamento da violência e a defesa de direitos. "Nessa Comissão, enfrentaremos a violência que nos aflige e lutaremos pelos direitos que são negados a todas nós", afirmou.
A nova presidente também indicou temas que pretende colocar em debate na comissão. "Falaremos sobre o direito de mulheres e meninas ao aborto e ao próprio corpo", declarou. Hilton afirmou ainda que o colegiado discutirá o crescimento do movimento red pill, os impactos de deepfakes e manifestações de misoginia, transfobia e lesbofobia. "Lutaremos, de cabeça erguida, sem vergonha alguma, contra a misoginia, a transfobia, a lesbofobia", disse.
Eleição histórica na Câmara
A eleição ocorreu após tentativa de parlamentares da oposição de impedir a realização do segundo turno. A deputada bolsonarista Chris Tonietto (PL-RJ) argumentou que não deveria haver nova votação, afirmando que a maioria da comissão rejeitaria a chapa apresentada.
Nenhuma candidatura alternativa foi registrada porque a presidência do colegiado havia sido destinada ao PSOL em acordo firmado entre os partidos no início do ano, durante a divisão das presidências das comissões da Câmara. Erika Hilton assume o cargo anteriormente ocupado pela deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG), que presidiu a sessão em que ocorreu a eleição.

