HOME > Brasil

Senado inicia nesta semana debate sobre fim da escala 6x1

PEC aprovada na Câmara prevê redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem corte salarial

Ato pelo fim da escala 6x1, urna eletrônica e Lula (Foto: Divulgação)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O Senado deve iniciar nesta semana a discussão sobre o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias e descansa um, em meio à tramitação da PEC aprovada na Câmara dos Deputados que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais sem corte salarial, com transição em duas etapas.

Segundo a CNN Brasil, a expectativa é que o tema seja tratado em reunião prevista para terça-feira (9) entre líderes partidários e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O texto chegou à Casa há mais de dez dias, mas ainda não recebeu despacho formal de Alcolumbre, etapa necessária para definir o caminho da proposta.

Tramitação deve passar por comissão

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) não deve seguir diretamente para o plenário. Alcolumbre já indicou que a matéria deverá ser analisada antes em comissão, e a definição do rito deve ser discutida com os chefes de bancada.

A sinalização do presidente do Senado é de que a Casa não atuará apenas como uma instância de confirmação do texto aprovado pelos deputados. Ele afirmou que a proposta será analisada "sem pressa", indicando a possibilidade de ajustes durante a tramitação.

A postura ocorre em um momento de relação mais tensionada entre Alcolumbre e o Planalto, após o desgaste provocado pela rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

Governo trata proposta como prioridade

A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados na última semana de maio e é vista pelo governo como uma pauta prioritária. A avaliação dentro do Executivo é de que a redução da jornada de trabalho tem forte apelo social e eleitoral, razão pela qual há interesse em acelerar sua tramitação no Senado.

O texto contou com apoio do governo e foi articulado pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). A proposta, no entanto, encontra resistência entre setores empresariais, que criticam a medida e apontam risco de aumento dos custos de produção e de prestação de serviços.

Redução da jornada terá transição de 14 meses

A PEC aprovada pelos deputados estabelece uma transição de 14 meses para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários. O corte será feito em duas etapas, cada uma com redução de duas horas.

A primeira etapa passará a valer 60 dias depois da promulgação da emenda constitucional. A segunda será aplicada 12 meses depois, completando o período total de 14 meses até a implementação integral da nova jornada.

Na prática, a proposta busca acabar com a escala 6x1 ao assegurar dois dias de descanso semanal. Essa regra também entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto. Pela redação aprovada na Câmara, o repouso deverá ocorrer "preferencialmente aos domingos".

Proposta alternativa da oposição vai à CCJ

Paralelamente à PEC que reduz a jornada de trabalho, uma proposta alternativa articulada pela oposição já recebeu despacho de Alcolumbre e foi enviada à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Esse texto estabelece a remuneração por hora trabalhada e foi apresentado como contraponto ao fim da escala 6x1.

Apesar da movimentação da oposição, a proposta de redução da jornada aprovada pela Câmara deve ter prioridade na análise da CCJ, conforme mostrou a CNN Brasil. Quando a PEC for enviada à comissão, caberá ao presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA), indicar o relator da matéria.

O debate no Senado deve concentrar as negociações sobre o ritmo da tramitação, possíveis mudanças no texto e os impactos da medida para trabalhadores, governo e setores econômicos.

Artigos Relacionados