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"Sicário" de Daniel Vorcaro tinha R$ 8,4 milhões em patrimônio

Patrimônio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão apresentou crescimento expressivo entre 2019 e 2024

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pela PF como "sicário" de Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)

247 - O patrimônio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado pela Polícia Federal como operador de ações de intimidação, apresentou crescimento expressivo nos últimos anos, saltando de R$ 2,9 milhões para R$ 8,4 milhões entre 2019 e 2024 — um aumento de 183% no período, segundo o UOL.

Declarações de Imposto de Renda, extratos bancários e registros contábeis indicam uma discrepância significativa entre os rendimentos oficialmente declarados por Mourão e o patrimônio acumulado ao longo dos anos.

Embora sua renda formal anual não ultrapassasse R$ 660 mil, Mourão declarou bens de alto valor, incluindo uma coleção de veículos de luxo e relógios de marcas renomadas. Entre os carros registrados estavam modelos como Audi Q8 e Land Rover Range Rover Sport SVR, além de outros três automóveis, totalizando mais de R$ 1,5 milhão.

Na declaração mais recente, referente a 2025, o investigado listou 12 relógios de grife, de marcas como Rolex, Cartier, Patek Philippe, Richard Mille e Audemars Piguet. O conjunto foi avaliado em cerca de R$ 3,7 milhões. O item mais caro era um Richard Mille RM 011, estimado em R$ 1,2 milhão, seguido por um Patek Philippe avaliado em R$ 800 mil. No ano anterior, ele ainda adquiriu outros três relógios, com entradas que somaram R$ 390 mil, parcelados em dez vezes.

Além dos bens de luxo, Mourão declarou possuir R$ 215 mil em dólares e R$ 230 mil em espécie.

As investigações também apontam indícios de irregularidades nas empresas utilizadas para justificar sua renda. A King Motors Locação de Veículos e Participações, uma de suas companhias, movimentou cerca de R$ 11 milhões em 2022 no Banco Safra, mas não registrou receita na declaração à Receita Federal no mesmo período e posteriormente se declarou inativa.

Mourão morreu em março deste ano, horas após ser preso, enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. Ele era suspeito de atuar no vazamento de informações sigilosas e na intimidação de adversários ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo a Polícia Federal, o investigado recebia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços prestados, o que corresponderia a R$ 12 milhões anuais. No entanto, esses valores não aparecem nas declarações fiscais nem nas movimentações oficiais de suas empresas.

Durante o período analisado, a King Motors foi a única fonte de renda tributável declarada. Em 2020, a empresa pagou R$ 300 mil em salários e R$ 360 mil em participação nos lucros, totalizando R$ 660 mil. Já em 2023, foram registrados R$ 240 mil em distribuição de lucros.

Além das suspeitas relacionadas ao grupo de Vorcaro, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou Mourão por movimentar R$ 28 milhões entre 2018 e 2021 em contas de empresas vinculadas a ele, no âmbito de uma investigação sobre possível esquema de pirâmide financeira.

As apurações da Polícia Federal também revelaram a participação de Mourão em um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, que reunia integrantes ligados ao esquema investigado. Segundo a PF, o grupo atuava na intimidação e monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

Em decisão que autorizou prisões no caso, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, classificou o grupo como uma “milícia privada”.

As investigações apontam ainda que Mourão utilizava documentos falsificados para se passar por autoridades públicas, com o objetivo de solicitar a remoção de conteúdos ou o bloqueio de perfis em plataformas digitais que contrariassem interesses do grupo investigado.

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