Tarcísio e Michelle são apontados como responsáveis pela transferência de Bolsonaro para Papudinha
Atuação paralela do governador de São Paulo e da ex-primeira-dama no STF fortalece a dupla e reduz espaço político de Flávio Bolsonaro no bolsonarismo
247 - Aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atribuíram à atuação conjunta dos dois junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) o desfecho que levou Jair Bolsonaro (PL) a ser transferido para a chamada “Papudinha”. Nos bastidores, a movimentação é descrita como uma “articulação casada” que teria produzido um “sinal positivo” do ministro Alexandre de Moraes, relata Igor Gadelha, do Metrópoles.
Interlocutores próximos a Michelle e Tarcísio afirmam que as iniciativas não foram previamente combinadas entre eles. Ainda assim, a avaliação é de que a atuação paralela da dupla acabou sendo determinante para o encaminhamento adotado pelo STF no caso envolvendo Bolsonaro.
Entre aliados de Jair Bolsonaro, a leitura é de que a decisão judicial ampliou o protagonismo político de Tarcísio de Freitas e de Michelle Bolsonaro, funcionando como um contraponto à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, que conta com o apoio público do próprio pai. Apesar dessa chancela, há divergências internas sobre qual seria a melhor estratégia eleitoral para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nesse cenário, cresce a defesa de uma chapa encabeçada por Tarcísio, com Michelle Bolsonaro na condição de vice. Para esses aliados, a transferência de Jair Bolsonaro para a “Papudinha” foi interpretada como um “round” vencido pela dupla na disputa de espaço político dentro do bolsonarismo, em detrimento de Flávio.
A avaliação interna também considera que uma eventual concessão de prisão domiciliar a Bolsonaro poderia reforçar ainda mais o capital político de Tarcísio e Michelle, consolidando-os como alternativas viáveis para a corrida presidencial. A percepção é de que a condução do episódio projetou ambos como figuras capazes de dialogar institucionalmente em momentos de crise.
Michelle Bolsonaro manteve recentemente uma conversa com o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, na qual tratou da possibilidade de prisão domiciliar para Jair Bolsonaro e relatou o estado de saúde do ex-presidente. Já Tarcísio de Freitas procurou ao menos dois ministros da Corte e chegou a conversar por telefone com magistrados na véspera da decisão de Alexandre de Moraes que determinou a transferência de Bolsonaro.


