Temer sai em defesa de Ciro Nogueira e critica “pré-condenação”
Ex-presidente diz ter a “melhor impressão” do senador, um dos principais alvos políticos do caso Master até o momento
247 - O ex-presidente Michel Temer (MDB) saiu em defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) nesta terça-feira (12), após o parlamentar se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master. Em declaração dada durante evento em Nova York, Temer afirmou ter “a melhor impressão” do senador e criticou o que classificou como uma “pré-condenação” antes da conclusão das investigações. As informações foram publicadas originalmente pela Folha de São Paulo.
A investigação da PF aponta suspeitas de que Ciro Nogueira receberia pagamentos mensais de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Temer, no entanto, afirmou que o sistema brasileiro acaba promovendo julgamentos antecipados antes do encerramento dos processos.
“Este é um equívoco do nosso sistema. Quando a Polícia Federal investiga, ela faz um inquérito e depois propõe ao Ministério Público que tome as medidas. Aqui, bastou registrar que alguém está envolvido em alguma coisa, que já está pré-condenado. É um defeito do nosso sistema”, declarou o ex-presidente.
Temer participa da chamada “semana do Brasil”, série de encontros realizados em Nova York por grupos empresariais e veículos de comunicação como Lide, Grupo Esfera, Veja e Valor Econômico. Durante o evento, ele afirmou que eventuais irregularidades atribuídas ao senador devem ser avaliadas ao longo das investigações.
“Se for comprovado algum equívoco na conduta de Ciro Nogueira, transparecerá lá adiante”, disse.
O ex-presidente também comentou o cenário político nacional e evitou declarar apoio antecipado para a eleição presidencial de 2026. Questionado sobre um eventual retorno à vida pública, descartou essa possibilidade. “Eu já fiz o que tinha que fazer”, afirmou.
Advogado, Temer também confirmou que atuou profissionalmente para o Banco Master. Segundo ele, sua participação esteve relacionada a trabalhos de mediação e conciliação.
“Eu faço trabalho de conciliação, mediação, mas não deu certo. Tudo está sendo investigado, mas é preciso levar às últimas consequências a investigação”, declarou.
Durante a agenda em Nova York, Temer voltou a defender a chamada Lei da Dosimetria, proposta que prevê redução de penas relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro e que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para o emedebista, a discussão representa um esforço de “pacificação do país”.
Ele também comentou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender a aplicação da medida e defendeu rapidez no julgamento do tema pela Corte.
“Se o Supremo pudesse examinar essas questões em dez dias, seria útil, porque logo em seguida eu acho que será declarada a constitucionalidade, e começa-se a examinar a redução das penalidades”, afirmou Temer, que indicou Moraes ao STF durante seu governo.
O ex-presidente ainda avaliou positivamente o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Segundo Temer, a reunião contribuiu para reduzir tensões diplomáticas entre os dois países. “Foi um encontro educado de dois estadistas”, declarou.
Temer também destacou a atuação da diplomacia brasileira e elogiou o trabalho do chanceler Mauro Vieira e do Itamaraty. Sobre a participação de intermediários, como o empresário Joesley Batista — apontado pela agência Reuters como um dos responsáveis por facilitar o encontro —, o ex-presidente afirmou que “todo tipo de ajuda vale”.



