HOME > Brasil

Thiago Ávila segue preso em Israel e esposa denuncia tortura (vídeo)

Lara Souza relata agressões, isolamento, ameaças e cobra ação mais firme do governo brasileiro

Thiago Ávila segue preso em Israel e esposa denuncia tortura (vídeo) (Foto: Reprodução redes sociais)

247 - A situação do ativista brasileiro Tiago Ávila, sequestrado pelo governo de Israel após uma interceptação em águas internacionais, é considerada grave e preocupante por sua esposa, Lara Souza. Em entrevista ao Boa Noite 247, ela detalhou as condições da prisão, denunciou agressões físicas e afirmou que o brasileiro segue preso sem acusação formal.

Nesta terça (5), o juiz do Tribunal Magistrado, Yaniv Ben-Haroush, aprovou o pedido do Estado de prorrogação da detenção do palestino-espanhol Saif Abu Keshek e do brasileiro Thiago Ávila até domingo (10) às 9h, horário local (3h da manhã pelo horário de Brasília). No entanto, nenhuma acusação formal foi apresentada. 

Lara afirmou que a prisão pode se estender indefinidamente. “Isso significa que, enquanto a corte israelense achar que eles devem ficar lá, eles vão ficar, é uma prisão por tempo indeterminado”, declarou.

Os ativistas são organizadores da Global Sumud Flotilha e foram sequestrados em águas internacionais na última quinta-feira (30) junto a outros 175 ativistas. Enquanto os demais foram levados para Creta, na Grécia, ele e Saif, outro coordenador da ação, foram transferidos para Israel sem que houvesse comunicação prévia às autoridades brasileiras.

Lara classificou a ação como ilegal. “Eles sequestraram dois cidadãos de outros países em águas internacionais a mais de mil quilômetros do território deles”, afirmou. Ela acrescentou: “Não existe base jurídica para isso. Israel não tem autoridade para fazer isso”.

“A situação do Thiago é bem preocupante e bem grave. Dessa vez é uma situação muito diferente”, afirmou Lara, que ressaltou que, inicialmente, a informação era de que todos os participantes seriam levados à Grécia. 

De acordo com o relato, a Embaixada do Brasil não foi informada sobre a transferência de Thiago para Israel. Lara relatou que Thiago foi levado para o porto de Asdode e, em seguida, para a prisão, onde teve contato com representantes consulares e sua advogada. 

Segundo ela, os relatos recebidos indicam agressões físicas. “A embaixada e a advogada me disseram que eles estavam com muitas marcas pelo corpo, muitas marcas no rosto”, declarou. Ela acrescentou que o ativista sofreu lesões mais graves: “A advogada trouxe aquele relato também de que ele não estava conseguindo abrir o olho esquerdo por conta dos espancamentos e das agressões na cabeça”.

Apesar das acusações apresentadas durante audiência, Lara afirma que não houve formalização de denúncia. “Foram apresentadas cinco acusações, mas não foram formalizadas queixas”, disse. Ela reforçou que não há provas.

Segundo ela, a Justiça israelense autorizou a manutenção da prisão para interrogatórios. “Hoje o Thiago está preso para ser interrogado, não tem nada formalizado contra ele”, afirmou.

A esposa também descreveu condições consideradas degradantes na prisão. “Ele está sendo mantido numa cela solitária, que não tem janelas". Ela destacou ainda que a iluminação é contínua: “A cela tem uma luz intensa durante vinte e quatro horas, que é, segundo a advogada, uma prática dessa prisão para causar desorientação e privação do sono”.

Outro ponto relatado foi o uso de venda nos deslocamentos. “Em todos os momentos em que ele é retirado da cela, ele está vendado”, afirmou Lara.

Ela também denunciou ameaças durante os interrogatórios. “Os investigadores mostraram fotos da nossa família em momentos da nossa vida cotidiana para ameaçá-lo”, disse.


Greve de fome

O quadro de saúde do ativista também preocupa. Lara informou que ele está em greve de fome. “Hoje é o sexto dia que o Tiago e o Saif estão em greve de fome”, afirmou. Ela explicou que a decisão é um protesto: “É uma ação não violenta de protesto contra todas as violações que eles estão sofrendo”.

A mobilização internacional tem sido considerada fundamental pela família. “Essa mobilização internacional é essencial”, declarou. Segundo ela, governos como o do Brasil, Espanha e Itália já se manifestaram.

Apesar do acompanhamento consular, ela cobra medidas mais firmes do governo brasileiro. “Prestar um bom atendimento consular não é mais suficiente”, disse.

A família também tenta uma reunião com o Itamaraty. “A gente tem pedido uma reunião com o Itamaraty, a gente ainda não teve resposta”, disse.

Ela também apontou que os interrogatórios têm foco na flotilha. “Os interrogatórios são majoritariamente sobre a flotilha”, afirmou, sugerindo tentativa de criminalização da ação.

Por fim, Lara reforçou a necessidade de pressão política. “O governo brasileiro precisa responder com a firmeza necessária para tirar o seu cidadão de lá”, disse.

A expectativa agora recai sobre a próxima audiência judicial, que deve ocorrer nas próximas horas. Enquanto isso, atos públicos e mobilizações nas redes sociais estão sendo organizados para pressionar pela libertação do ativista brasileiro.

Artigos Relacionados