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“Trump impulsiona a derrota de quem apoia”, diz Paulo Nogueira Batista Júnior (vídeo)

Economista lembra que o presidente dos Estados Unidos apoiou candidatos de direita no Canadá e na Austrália e viu ambos serem derrotados

“Trump impulsiona a derrota de quem apoia”, diz Paulo Nogueira Batista Júnior (vídeo) (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein | Divulgação )
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247 – O economista Paulo Nogueira Batista Júnior, ex-vice-presidente do Banco dos BRICS, ex-diretor-executivo do FMI e professor licenciado da FGV, afirmou que o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode se transformar em um fator de desgaste para candidatos de direita em outros países.

A avaliação foi feita no contexto da crise aberta pela ofensiva de Trump contra o Brasil e da postura de vassalagem adotada por Flávio Bolsonaro (PL), que tentou justificar o tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Enquanto o presidente Lula defende o diálogo sem abrir mão da soberania nacional, setores do bolsonarismo se alinham aos interesses de Washington.

Trump virou problema para aliados da direita

“Trump impulsiona a derrota de quem apoia”, afirmou Paulo Nogueira Batista Júnior, ao lembrar que o presidente dos Estados Unidos apoiou candidatos de direita nas eleições do Canadá e da Austrália e acabou impulsionando a derrota de ambos.

A observação do economista reforça a percepção de que o alinhamento automático com Trump pode produzir efeito contrário ao desejado por seus aliados internacionais. Em vez de fortalecer candidaturas conservadoras, a associação ao presidente dos Estados Unidos tende a alimentar reações nacionalistas e soberanistas em países que se sentem pressionados por Washington.

No Brasil, esse debate ganhou força após Flávio Bolsonaro tentar transferir para Lula a responsabilidade pela nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos. O senador afirmou que o alvo da medida não seriam as empresas brasileiras, mas o presidente brasileiro.

“Então, não são as empresas brasileiras que estão sendo tarifadas. Quem está sendo tarifado é o presidente Lula: é ele e o seu comportamento, são as suas ameaças aos Estados Unidos e o seu sentimento anti-americano. É a sua ideologia sendo colocada na frente do interesse do povo brasileiro que pode fazer com que as empresas brasileiras sejam mais uma vez tarifadas”, declarou Flávio Bolsonaro.

Vassalagem de Flávio Bolsonaro amplia desgaste

A fala de Flávio Bolsonaro foi interpretada por críticos como uma defesa explícita dos interesses de Trump em detrimento dos interesses nacionais. Ao tentar justificar uma medida que atinge produtos brasileiros, empresas nacionais e empregos no país, o senador passou a ser associado à postura de submissão política aos Estados Unidos.

O desgaste aumentou porque a ofensiva norte-americana também colocou o Pix no centro das pressões comerciais. O USTR, Representante Comercial dos Estados Unidos, citou o papel do Banco Central do Brasil como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos como um dos pontos questionados por Washington.

A tentativa de setores bolsonaristas de tratar a pressão dos Estados Unidos como algo negociável ampliou a crítica de que a oposição estaria disposta a enfraquecer instrumentos estratégicos do Brasil para agradar Trump. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por exemplo, comparou o Pix ao Zelle, sistema privado de pagamentos usado nos Estados Unidos, e sugeriu que o tema poderia ser levado a uma mesa de negociação com os norte-americanos.

“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir pra uma mesa de negociação com os americanos”, disse Eduardo Bolsonaro.

Lula assume discurso soberano

Enquanto o bolsonarismo tenta justificar a pressão de Trump, Lula adotou uma posição de defesa da soberania brasileira. Em reunião ministerial, o presidente afirmou que o Brasil seguirá dialogando com os Estados Unidos, mas não aceitará ser tratado como país subordinado.

“Esse país não adotará mais a política de vira-lata diante das grandes potências”, disse Lula.

O presidente também criticou o tratamento dado pelos Estados Unidos ao Brasil e afirmou que o país não pode aceitar ser visto como uma “republiqueta insignificante”.

“Nós estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, eu diria até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país, a nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, a nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes. Nós temos muita história, e nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil esta semana”, afirmou Lula.

A diferença entre as duas posturas se tornou um dos principais eixos da disputa política. De um lado, Lula busca transformar a crise em uma defesa da soberania nacional, do multilateralismo e dos interesses econômicos do Brasil. De outro, Flávio Bolsonaro e seus aliados tentam responsabilizar o governo brasileiro por uma decisão tomada por Trump.

Efeito Trump pode pesar contra Flávio

A análise de Paulo Nogueira Batista Júnior sugere que a aposta bolsonarista em Trump pode se tornar um erro estratégico. Se o apoio do presidente dos Estados Unidos ajudou a derrotar candidatos de direita no Canadá e na Austrália, a associação de Flávio Bolsonaro ao tarifaço contra o Brasil pode produzir efeito semelhante no cenário nacional.

O caso brasileiro tem um componente adicional: Trump não apenas se posicionou politicamente, mas adotou uma medida concreta contra produtos brasileiros. Isso permite ao governo Lula enquadrar a disputa como um confronto entre soberania nacional e submissão a interesses estrangeiros.

Nesse contexto, o apelido “TarifLávio”, usado por críticos para associar Flávio Bolsonaro ao tarifaço de Trump, passou a sintetizar o desgaste do senador. A oposição teme que a imagem de Flávio como aliado de Washington se consolide justamente em um momento em que a população tende a reagir negativamente a ataques externos contra a economia brasileira e contra o Pix.

Soberania vira centro da eleição

A crise com os Estados Unidos deslocou o debate político para um terreno favorável a Lula: a defesa do Brasil diante de pressões externas. O presidente passou a enfatizar que o país está disposto a negociar, mas não aceitará imposições de grandes potências.

Para Paulo Nogueira Batista Júnior, o histórico recente de Trump em eleições estrangeiras serve de alerta para a direita brasileira. O apoio do presidente dos Estados Unidos pode mobilizar rejeição, reforçar sentimentos soberanistas e transformar aliados locais em símbolos de submissão.

A disputa, portanto, deixa de ser apenas comercial ou diplomática. Ao colocar Flávio Bolsonaro ao lado de Trump e Lula na defesa da soberania, a crise cria uma linha divisória clara: de um lado, quem defende os interesses nacionais; de outro, quem aceita a vassalagem completa aos Estados Unidos.

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