“Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”: PF revela diálogos sobre mesada de Vorcaro a Ciro Nogueira
Operação Compliance Zero apura repasses mensais ao senador e fraudes financeiras envolvendo títulos falsos do Banco Master
247 - A Polícia Federal investiga um suposto esquema de pagamentos mensais feitos pelo empresário Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
Segundo a investigação, mensagens interceptadas pela PF apontam que os repasses ao senador eram tratados internamente como uma espécie de “mesada”. Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, Felipe Vorcaro, apontado como operador financeiro do grupo, questiona Daniel Vorcaro sobre a continuidade dos pagamentos: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”. Para a PF, o diálogo evidencia a existência de transferências periódicas e um aumento no valor dos repasses destinados a “ciro”, citado nominalmente nas mensagens.
A Operação Compliance Zero investiga um esquema de venda de títulos de crédito falsos que teria movimentado bilhões de reais. O nome da ação faz referência, segundo a PF, à ausência de mecanismos de controle interno nas instituições envolvidas para impedir crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
De acordo com os documentos da investigação, as provas surgiram a partir de diálogos interceptados entre Daniel Vorcaro e Felipe Vorcaro. As conversas detalham o funcionamento de uma estrutura identificada como “parceria BRGD/CNLF”. Nesse modelo, a empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, enviaria recursos para a CNLF Empreendimentos, apontada pela PF como veículo patrimonial vinculado ao senador Ciro Nogueira.
Em janeiro de 2025, Felipe Vorcaro relatou dificuldades para manter o fluxo financeiro em razão do “aumento dos pagamentos” ao chamado “parceiro brgd”. Já em junho do mesmo ano, Daniel Vorcaro teria cobrado o atraso de dois meses nos repasses destinados a “ciro”, levando ao questionamento sobre a manutenção do pagamento de R$ 500 mil mensais.
A investigação também aponta suspeitas de atuação política em favor do Banco Master. Segundo a PF, o texto de uma emenda legislativa teria sido elaborado pela própria assessoria da instituição financeira e entregue em um envelope na residência do senador. Após a apresentação da proposta, Daniel Vorcaro teria comemorado o resultado, afirmando que o texto “saiu exatamente como mandei”.
Interlocutores ligados ao banco, ainda segundo os investigadores, avaliavam que a medida poderia “sextuplicar” os negócios da instituição financeira.
Além dos repasses mensais, a PF suspeita que Ciro Nogueira também tenha sido beneficiado por operações societárias consideradas fraudulentas. Entre elas está a aquisição de 30% da Green Investimentos S.A. pela empresa CNLF Empreendimentos, administrada formalmente por Raimundo Neto, irmão do senador. A operação foi realizada pelo valor de R$ 1 milhão, conforme os documentos analisados pela investigação.


