"Visão ocidental de ‘Estado mínimo’ está superada”, diz Mercadante
Presidente do BNDES destaca investimentos do governo Lula em São Paulo e cobra “relação republicana” de Tarcísio de Freitas
247 - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta quarta-feira (25) que a concepção de “Estado mínimo” já não responde aos desafios atuais da economia global. A declaração foi feita durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à fábrica de trens da chinesa CRRC, em Araraquara (SP), em um evento marcado por anúncios de investimentos e defesa da reindustrialização do país.
Segundo informações divulgadas sobre o evento, a agenda incluiu a assinatura de contratos de financiamento do BNDES no valor total de R$ 5,6 bilhões para projetos de mobilidade urbana em São Paulo, além da consolidação de novos investimentos industriais com a instalação da unidade da CRRC no Brasil.
Durante seu discurso, Mercadante destacou o papel do banco na retomada da política industrial. Ele relembrou a orientação do presidente Lula ao reassumir o governo: “quero o BNDES de volta, investindo, ajudando a industrializar o Brasil”. De acordo com o dirigente, a instituição alcançou a marca de R$ 1 bilhão em crédito liberado por dia, com ativos próximos de R$ 1 trilhão e baixa inadimplência.
O presidente do BNDES também comparou os investimentos realizados em São Paulo nos últimos anos. “No estado de São Paulo, no governo anterior, em quatro anos, o BNDES financiou R$ 65,6 bilhões. Em três anos, seu governo já fez R$ 152,6 bilhões”, afirmou. Na área industrial, o volume teria mais que triplicado, passando de R$ 18,8 bilhões para R$ 71,7 bilhões.
Mercadante atribuiu esse desempenho à política da Nova Indústria Brasil, coordenada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, com foco na reindustrialização e no fortalecimento da produção nacional. Ele também ressaltou a estratégia de exigir conteúdo local em projetos financiados, como no caso do metrô paulista.
Ao abordar a expansão do sistema metroviário, o dirigente criticou modelos anteriores baseados na importação de equipamentos. “Nós não queremos simplesmente fazer metrô. Queremos fazer um metrô gerando emprego e investimento no Brasil”, disse, destacando que o financiamento passou a exigir contrapartidas de produção local.
Em outro momento, Mercadante fez um apelo ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao mencionar a ausência do chefe do Executivo estadual no evento. Segundo ele, havia um compromisso de reciprocidade institucional. “Seria muito bom que esta relação republicana fosse de duas mãos”, declarou.
O dirigente também destacou a parceria com a China, responsável pela instalação da CRRC no Brasil, considerada a maior empresa ferroviária do mundo. Para ele, o avanço de investimentos públicos e industriais reforça a superação de antigas diretrizes econômicas. “Essa visão ocidental, de Estado mínimo, é uma visão que está superada”, afirmou, citando mudanças recentes nos Estados Unidos, Europa e América Latina.
A visita de Lula à unidade industrial marcou um novo ciclo para o setor ferroviário brasileiro. A fábrica da CRRC ocupa instalações anteriormente desativadas e já iniciou a contratação de trabalhadores, mesmo antes da conclusão das linhas de produção, sinalizando a retomada de investimentos e a ampliação da cadeia produtiva no país.


