Vorcaro pediu anulação da liquidação do Master em delação
Banqueiro disse desconhecer relação de Dias Toffoli com o resort de luxo Tayayá
247 - O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tentou condicionar um acordo de delação premiada à reversão da liquidação da instituição financeira decretada pelo Banco Central. Segundo informações publicadas pela coluna Painel, da Folha de São Paulo, o ex-banqueiro pediu à Polícia Federal a anulação da medida que encerrou as atividades do banco em novembro do ano passado.
A proposta surpreendeu investigadores da PF, já que a reversão da liquidação não estaria sob competência da corporação. De acordo com a reportagem, os delegados consideraram a exigência “audaciosa”, uma vez que o Banco Central classificou a situação do Master como “irrecuperável” ao determinar a intervenção definitiva na instituição.
Vorcaro pretendia reassumir o controle do banco e, durante as negociações para a colaboração premiada — posteriormente rejeitada —, teria oferecido poucas informações novas aos investigadores. Na avaliação dos delegados envolvidos no caso, o empresário nunca demonstrou disposição efetiva para colaborar com as investigações.
A Polícia Federal já possuía ampla quantidade de dados obtidos em celulares apreendidos com o ex-banqueiro. Ao todo, oito aparelhos foram recolhidos, embora a maior parte das negociações investigadas estivesse concentrada em apenas um deles. Os conteúdos já foram extraídos integralmente, mas seguem em análise.
Durante os depoimentos, Vorcaro também afirmou que desconhecia a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort de luxo Tayayá. O empreendimento era administrado por uma empresa comandada pelos irmãos do ministro em parceria com um fundo de investimentos ligado ao empresário.
À Polícia Federal, Vorcaro declarou que investiu no resort apenas por considerar o negócio financeiramente vantajoso. Segundo a reportagem, ele afirmou não ter “nada mais a acrescentar” além das informações já conhecidas pelos investigadores.
Questionado sobre relações com políticos mencionados nas investigações, o empresário minimizou os vínculos e afirmou que mantinha apenas amizade com algumas lideranças, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de uma das fases da Operação Compliance Zero.



