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Wassef acertou com Bolsonaro estratégia de defesa 'genérica' no caso do roubo das joias

Em áudio, o advogado do clã Bolsonaro diz que a estratégia permitiria a "abertura para a gente falar de qualquer pauta" e "mudar de estratégia a qualquer momento"

(Foto: Reuters/Adriano Machado/Reuters)

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247 - Jair Bolsonaro (PL) e seu advogado, Frederick Wassef, ajustaram uma estratégia de defesa pública generalizada para lidar com as acusações de desvio de joias sauditas que deveriam ter sido incorporadas ao patrimônio do Estado brasileiro, mas que o ex-mandatário tentou vender ilegalmente no exterior. Segundo a coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, as mensagens e áudios que revelam esse planejamento estão em posse da Polícia Federal (PF), fundamentando as investigações que resultaram no indiciamento de Bolsonaro por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

O documento foi divulgado na segunda-feira (8) após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubar o sigilo do inquérito. Em uma mensagem de áudio de 7 de março, quatro dias após a revelação do caso pelo jornal O Estado de S.Paulo, Wassef orientou Bolsonaro a manter uma linha de defesa ampla e sem detalhes específicos.

“Presidente, a nota como está, ela não nos engessa pra nada. Tem abertura pra gente falar de qualquer pauta, mudar de estratégia a qualquer momento porque é uma nota geral, generalizada sem especificar com detalhe”, disse Wassef no áudio.

Wassef também instruiu Bolsonaro a enfatizar a legalidade de suas ações e a acusar os adversários de distorção dos fatos. “Porque se a gente der muito detalhe, se amarra, se prende àquilo. Então, tem que ser exatamente nesse molde, bem por cima, deixando claro a seguinte mensagem ao povo: Não há ilegalidade! Não fizemos nada errado! O presidente agiu dentro da lei! E estão distorcendo! Ponto! Só pra ter uma outra palavra pra tirar o que eles vão fazer de maldade contra você”, ressaltou Wassef, de acordo com a reportagem. Além disso, ele também pediu para ser creditado na nota como “advogado do presidente Jair Bolsonaro”.

A investigação da PF mostrou que Wassef teria participado do esquema de desvio de artigos do patrimônio brasileiro, incluindo a compra de um relógio Rolex, presenteado pelo governo saudita e vendido ilegalmente nos Estados Unidos pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid. Devido a essa participação, Wassef foi indiciado por associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Após Bolsonaro sugerir ajustes no texto da defesa, Wassef enviou a versão final para aprovação do ex-mandatário, destacando a necessidade de uma mensagem ao público afirmando a legalidade de suas ações. A nota de Wassef, divulgada com o apoio de Bolsonaro, declarava que ele agiu “dentro da lei” e que os bens recebidos em viagens foram declarados oficialmente, negando irregularidades e alegando perseguição política.

No entanto, as joias da grife Chopard, presentes do governo da Arábia Saudita e apreendidas pela Receita Federal, não se qualificam como itens de “natureza personalíssima”, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU).

Após alinhar os termos da declaração pública com Bolsonaro, Wassef conversou com Mauro Cid e o advogado Fabio Wajngarten sobre outra reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Cid havia informado à reportagem que um segundo pacote de joias estava no acervo privado de Bolsonaro, embora esse kit já tivesse sido levado para a Flórida e submetido a leilão em Nova York, sem sucesso.

“Se o Cid já falou em on para que a nota? Olha o zoológico”, ressaltou Wajngarten. Em resposta, Wassef disse que “a nota é necessária tal como está. Protege a imagem do presidente e não compromete ou engessa futuras falas, estratégias e depoimentos. Tem de ser em meu nome. O próprio presidente me disse isto. Não é para ser nota oficial dele. Por favor mantenha a minha nota como estava”.

A troca de mensagens entre Wassef e Wajngarten continuou após novas declarações de Mauro Cid à imprensa. Wassef expressou irritação com a postura do ex-ajudante de ordens, que meses depois fez um acordo de colaboração premiada com a PF. Puta merda, hein? Desculpa o tom. Mas o tal do Cid confirmou que ele levou o segundo estojo de joias. Você sabia? Ele falou algo?", escreveu Wajngarten. “Não. Ninguém pode falar porra nenhuma”, dsparou Wassef. Poucos meses depois, Mauro Cid firmou um acordo de delação premiada com a PF.

Em nota divulgada após o relatório da PF, a defesa de Bolsonaro afirmou que o ex-mandatário “em momento algum pretendeu se locupletar ou ter para si bens” considerados públicos. Os advogados também argumentam que o caso deveria tramitar na Justiça de Guarulhos e não no STF, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, como defendido pela gestão de Augusto Aras na Procuradoria-Geral da República (PGR). A posição, porém, foi revista posteriormente pela PGR.

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