Wellington Dias detalha novas regras do Bolsa Família e diz que combate à fome virou política de superação da pobreza
Ministro afirma que carteira assinada e CNPJ regularizado não devem punir famílias e destaca parceria com o setor empresarial
247 – O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou nesta segunda-feira, 9, que o Brasil vive uma transição histórica do combate emergencial à fome para uma política estruturada de superação da pobreza, durante almoço promovido pelo LIDE em torno do presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva. Em sua fala, o ministro destacou mudanças profundas nas regras do Bolsa Família e defendeu que a formalização do trabalho não pode ser tratada como punição aos mais pobres.
Ao iniciar sua participação, Wellington Dias fez uma saudação bem-humorada ao público, observando que “é bom o ministro do combate à fome falar depois do almoço”, antes de agradecer a presença de lideranças políticas e empresariais. Ele afirmou estar no evento acompanhando “esse grande amigo, esse grande brasileiro, querido Edinho”, classificando o encontro como uma honra e um momento de diálogo amplo, para além de diferenças partidárias.
Diálogo institucional e reconhecimento do papel dos estados e municípios
Durante a saudação inicial, o ministro lembrou sua trajetória no Partido dos Trabalhadores, ao qual é filiado desde a fundação, há 46 anos, e ressaltou a importância da experiência de Edinho Silva na direção partidária. Wellington Dias também destacou a presença de João Dória, relembrando sua própria experiência como governador do Piauí e elogiando a atuação do então governador de São Paulo na relação com os municípios.
Ao comentar depoimento de Edinho Silva sobre a atuação de João Dória à frente do governo paulista, Wellington Dias afirmou que não há desenvolvimento, qualidade de vida e avanços sociais sem políticas que tratem cada município como parte integrante do estado, associando essa visão à postura do presidente Lula, que, segundo ele, governa o Brasil de forma republicana, independentemente de alinhamentos políticos locais.
Da fome à superação da pobreza
Entrando no conteúdo central de sua fala, Wellington Dias afirmou que o ministério recebeu do governo do presidente Lula quatro grandes missões, com destaque para a segurança alimentar. Segundo ele, o país precisa avançar para um modelo em que se fale mais em segurança alimentar do que apenas em combate à fome.
O ministro explicou que, em 2022, cerca de 41% da população brasileira vivia em situação de insegurança alimentar e que, ao final de 2024, o país já havia retornado a patamares semelhantes aos de 2012, 2013 e 2014, alcançando aproximadamente 80% de segurança alimentar. Ele ressaltou que esse resultado não depende apenas de políticas de transferência de renda, mas de uma engrenagem que envolve produção, transporte, armazenagem, distribuição e acesso aos alimentos, com participação decisiva do setor empresarial.
Nova lógica do Bolsa Família e incentivo à formalização
Wellington Dias destacou como eixo central de sua gestão a mudança nas regras do Bolsa Família para eliminar o que chamou de “medo da formalidade”. Segundo ele, até recentemente, assinar a carteira de trabalho ou regularizar um pequeno negócio significava perder imediatamente o benefício, o que desestimulava a inserção formal no mercado de trabalho.
O ministro explicou que, após diálogo com o presidente Lula e com diversos setores da economia, o governo implementou uma regra em três patamares. Hoje, assinar contrato de trabalho ou abrir um CNPJ não é mais motivo automático para perda do benefício. Atualmente, mais de 4 milhões de famílias conciliam renda do trabalho com o recebimento do Bolsa Família.
Com base em um sistema avançado de cruzamento de dados, que reúne cerca de 1,7 petabyte de informações, o governo calcula a renda per capita das famílias. Quando essa renda permanece abaixo da linha da pobreza, o benefício é mantido integralmente. Wellington Dias explicou que uma família de cinco pessoas, mesmo com renda equivalente a um salário mínimo, continua no programa, pois essa renda não é suficiente para superar a pobreza.
Quando a renda familiar ultrapassa o limite estabelecido, atualmente em R$ 706 por pessoa, o benefício é reduzido à metade por 12 meses. Caso a família perca o emprego nesse período, não retorna a uma fila de espera: permanece no Cadastro Único e volta automaticamente ao Bolsa Família, garantindo proteção social contínua.


