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Bloco Bollywood completa uma década celebrando as cores e culturas do BRICS em São Paulo

Desfile na Rua Augusta destaca a diversidade cultural do BRICS, com música, dança e intercâmbio artístico entre Brasil e Índia

Bloco Bollywood completa uma década celebrando as cores e culturas do BRICS em São Paulo (Foto: Reprodução/Instagram)

247 - A Rua Augusta, em São Paulo, será tomada por cores, ritmos e coreografias inspiradas na Índia durante o desfile do Bloco Bollywood, que completa dez anos de existência celebrando a diversidade cultural dos países do BRICS. O bloco, criado pela comunidade indiana na capital paulista, transforma o carnaval de rua em um espetáculo multicultural que une música, dança e referências estéticas de diferentes tradições.

Em sua décima edição, o Bloco Bollywood destaca os laços culturais entre os integrantes do BRICS em um momento simbólico, marcado pela presidência brasileira do grupo em 2025 e pela futura liderança da Índia em 2026. A proposta do desfile é evidenciar o intercâmbio artístico entre esses países, ressaltando influências musicais e coreográficas que atravessam fronteiras e se misturam ao longo do tempo.

O repertório deste ano enfatiza a troca cultural entre Bollywood e as expressões musicais dos países do BRICS. Ao longo das décadas, a indústria cinematográfica indiana incorporou ritmos, instrumentos e movimentos inspirados em diferentes regiões do mundo, enquanto sua música e estética passaram a influenciar artistas e públicos fora da Índia. Essa fusão se reflete nas coreografias e na energia do desfile, que transforma a Augusta em um grande palco a céu aberto.

Além das canções tradicionais indianas, o público poderá acompanhar grandes sucessos de Bollywood e apresentações de bhangra pop, estilo vibrante originário do Punjab. O repertório reúne músicas aguardadas por foliões que acompanham o bloco desde suas primeiras edições e que, ano após ano, marcam presença no chamado carnaval indiano de rua.

Criado em 2016, o Bloco Bollywood nasceu com a proposta de aproximar a comunidade indiana do carnaval brasileiro e apresentar essa cultura ao público local. “Nós começamos esse bloco para incentivar a comunidade indiana a participar do carnaval de rua do Brasil e para mostrar a riqueza da nossa cultura aos amigos brasileiros”, afirma Shobhan Saxena, cofundador do bloco ao lado da jornalista Florência Costa. “Com a participação entusiasmada dos brasileiros, o bloco acabou se transformando em uma mistura natural de duas culturas”, completa.

A dança ocupa papel central no desfile e é um dos principais pontos de conexão com o público. Iara Ananda Romano, brasileira com mais de 27 anos de dedicação às danças indianas, é um dos grandes destaques do Bloco Bollywood desde a primeira edição. Com formação em estilos clássicos como Bharatanatyam, Kuchipudi e Mohiniyattam, além de Bollywood, ela é considerada uma das principais referências da dança indiana na América Latina e é conhecida pela comunidade indiana como “Bollywood Queen”.

“O Bloco Bollywood é um pedacinho da Índia que ganha vida nas ruas de São Paulo. As batidas da música indiana se encontram com a alma brasileira, criando uma fusão única. Na Rua Augusta, indianos e brasileiros dançam juntos, como em um filme de Bollywood a céu aberto”, diz Iara Ananda. “Ao longo desses 10 anos de Bloco, sinto-me honrada por fazer parte dessa história desde o primeiro desfile, comandando as danças de cima do trio e como Rainha do Bloco, título dado pela própria comunidade indiana.”

Outra presença central no desfile é a de Disha Malani, professora de dança e criadora da marca Feels Like India. “O Bloco Bollywood foi um marco para a união dos brasileiros com indianos em São Paulo. De uma forma leve e divertida, através do carnaval, essa junção das duas culturas aconteceu na medida certa”, afirma. Segundo ela, um dos diferenciais do bloco é a condução dos foliões por professoras de dança. “Fazemos os foliões dançarem ao ritmo das músicas indianas, com passos fáceis, para que todos se sintam em um filme de Bollywood.”

Como preparação para o desfile, Iara Ananda e Disha Malani ministraram workshops gratuitos de dança indiana nos dias 31 de janeiro e 2 de fevereiro, ensinando os passos básicos das coreografias e aquecendo o público para a celebração. A iniciativa reforça o caráter participativo do bloco e amplia o envolvimento dos foliões com a cultura indiana.

Para Vijay Bavaskar, mestre de cerimônias do bloco e empresário do setor gastronômico, a dança é o principal elo com o público brasileiro. “Desde o início do Bloco Bollywood, a maior atração para o público brasileiro tem sido a dança indiana, tão diferente, vibrante e visualmente impactante, além das roupas exuberantes”, afirma. “O bloco é um grande exemplo de encontro cultural entre dois países emergentes, com culturas ricas, vibrantes e coloridas.”

Desde 2017, o desfile conta também com a participação da bateria brasileira Cherateria, formada por estudantes de Física da USP. Neste ano, o grupo desfila com 25 integrantes, tocando ritmos indianos com instrumentos brasileiros e apresentando também uma performance de samba. A fusão entre samba e bhangra foi batizada de “sambra” e se tornou um dos símbolos do bloco.

Responsável pela produção do evento, Juily Malani destaca a trajetória do Bloco Bollywood ao longo de uma década. “Criado em 2016, o Bloco Bollywood celebra este ano uma década de história como um dos projetos mais únicos do carnaval de rua de São Paulo”, afirma. “O bloco mistura música, dança e percussões com a energia do carnaval brasileiro, reunindo brasileiros, indianos e foliões de todas as origens em um espetáculo único.”

A diversidade também se expressa no repertório, que inclui ritmos de diferentes regiões da Índia, como o Bhangra, do Punjab, e o Garba, do Gujarat, reforçando a pluralidade cultural do país e o diálogo com tradições de outros integrantes do BRICS. Ao completar dez anos, o Bloco Bollywood se consolida como um dos eventos mais multiculturais e simbólicos do carnaval de rua de São Paulo, transformando a cidade em um espaço de encontro entre culturas, sons e movimentos.

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