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“É Preciso Estar Atento e Forte”: show em Brasília reage à ameaça fascista

Músicos interpretam canções censuradas na ditadura civil-militar pós-64, como as de Chico Buarque e Taiguara

Myrlla Muniz (Foto: Luciana Melo | Divulgação)

Em tempos de revisitação histórica, de reflexão política e ameaça fascista, a música brasileira volta a ocupar o centro do debate cultural como instrumento de memória e resistência. Esse é o espírito do espetáculo “É PRECISO ESTAR ATENTO E FORTE: Canções Filhas da Resistência”, que será apresentado amanhã (27/3), às 20h30, no Clube do Choro.

A proposta do show é revisitar canções emblemáticas da MPB dos anos 1960-1970, período marcado pela repressão da ditadura militar no Brasil, quando artistas encontraram na arte uma forma potente de enfrentamento. Compositores recorreram à poesia, metáforas e ambiguidades para driblar a censura e denunciar, ainda que de forma velada, as violações de direitos e a ausência de liberdade.

Com direção musical do guitarrista Marcus Moraes, o espetáculo traz ao palco a banda Passo Largo, conhecida por sua força instrumental, imprimindo novos contornos a músicas que atravessaram décadas como símbolos de resistência. O repertório inclui obras consagradas que marcaram gerações e foram entoadas por multidões em defesa da democracia antes da redemocratização do país. Entre as composições censuradas que integram o espetáculo, destacam-se as de Chico Buarque e Taiguara, dois dos artistas mais atingidos pela censura ao longo dos 21 anos de arbítrio no Brasil.

A condução vocal fica por conta de George Lacerda, Myrlla Muniz e Rayara Correa, intérpretes que prometem envolver o público em um canto coletivo de celebração e consciência política. A proposta vai além da execução musical: o espetáculo convida a plateia a participar ativamente, transformando o evento em um coro uníssono em defesa da liberdade.

Um dos destaques da noite é a participação da cantora Myrlla Muniz, que retornou recentemente de Cuba, onde representou o Brasil no Festival Jazz Plaza. Sua presença agrega ainda mais força simbólica ao espetáculo, reforçando o papel da música brasileira no cenário internacional e sua vocação para o diálogo político e cultural.

Para Myrlla, a arte segue sendo uma trincheira essencial em tempos de incerteza:

“Ser a voz que canta pela democracia tem sido minha bandeira. E cantar música brasileira num país que já passou por tantos desenganos tem esse gosto de festa. E não podemos esquecer esse gosto de liberdade para que nunca mais o gosto amargo da opressão nos cale.”

A artista também destaca a importância da memória histórica como ferramenta de resistência:

“Que a lembrança do passado seja nossa força diante do inimigo astuto que quer nos silenciar. Temos a melhor música do mundo, somos reconhecidos por isso e, se ainda temos alguma dúvida do nosso poder, do poder da arte e da música, lembremos de como ela foi importante para atravessar tempos escuros também da COVID, que nos paralisou.”

E conclui com um chamado que ecoa o próprio título do espetáculo:

“Para impedir que o mal volte, precisamos estar atentos e fortes.”

Idealizado por Tita Lyra, o evento surge também como resposta ao contexto político contemporâneo. Em um ano eleitoral como 2026, a temática ganha novos contornos e urgência.

“Considerando que mesmo após mais de 60 anos do golpe o Brasil vive uma ascensão de pensamentos autoritários já ultrapassados, nossa vontade é fortalecer vozes pró-democracia através da cultura, que sempre foi um grande catalisador social”, afirma a produtora.

Mais do que um show, “É Preciso Estar Atento e Forte” se apresenta como um manifesto artístico. Ao reunir músicos de diferentes vertentes e promover o encontro entre passado e presente, o espetáculo reafirma o papel da cultura como espaço de resistência, memória e construção coletiva — lembrando que, em qualquer tempo, cantar também pode ser um ato político.

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Serviço - 

Quando: 27/03/2026, às 20h30

Onde: Clube do Choro

Ingressos: Bilheteria do Clube do Choro ou Bilheteria Digital

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