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Freixo desmente suposto favorecimento a escola de samba que homenageará Lula

Presidente da Embratur diz que patrocínio público, no mesmo valor de 2025, é igualmente repartido entre as escolas

Marcelo Freixo (Foto: Reprodução/X/@MarceloFreixo)

247 - O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, divulgou nesta sexta-feira (6) um vídeo para rebater acusações de que o órgão teria favorecido alguma escola de samba do Rio de Janeiro por conta de enredos escolhidos para o Carnaval. A manifestação ocorre em meio à polêmica envolvendo a escola Acadêmicos de Niterói, que vai homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu desfile na Marquês de Sapucaí.

No vídeo, Freixo aparece na Cidade do Samba e afirma que o investimento no Carnaval carioca é estratégico para a promoção internacional do país. Segundo ele, o desfile das escolas do Grupo Especial alcança audiência em cerca de 160 países e tem impacto direto na geração de empregos e renda.

Freixo declarou que a Embratur mantém o mesmo valor de repasse realizado no ano anterior, totalizando R$ 12 milhões. O montante, segundo ele, foi destinado por meio de contrato com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), com previsão de contrapartidas e distribuição proporcional. De acordo com o presidente da Embratur, o valor é dividido igualmente entre todas as escolas do Grupo Especial.

“Foram R$ 12 milhões no ano passado e R$ 12 milhões neste ano. O mesmo valor”, afirmou. Ele acrescentou que o repasse é feito “em um contrato com a Liesa, com contrapartida, com proporção”, e reforçou que “esses R$ 12 milhões são distribuídos igualmente entre todas as escolas”.

Na gravação, Freixo também citou que outros entes públicos fazem repasses à Liesa com o mesmo critério de divisão. Segundo ele, a Prefeitura do Rio de Janeiro destina R$ 24 milhões, enquanto o governo estadual repassa R$ 40 milhões, ambos distribuídos igualmente entre as agremiações.

“Portanto, não há nenhum favorecimento ou alguma relação com enredo”, disse Freixo. Ele afirmou que os temas escolhidos pelas escolas são decisões internas e independem de qualquer avaliação da Embratur. “Se uma escola homenageia o Lula, se outra homenageia a Rita Lee, se outra vai homenagear o Ney Matogrosso, essa é uma escolha de cada escola”, declarou.

Freixo argumentou ainda que o papel da Embratur é promover a imagem do Brasil no exterior, e não interferir em manifestações culturais. “Nós somos um órgão de promoção do Brasil, e não de censura. Não nos cabe avaliar o enredo”, afirmou.

A declaração ocorre após o Tribunal de Contas da União (TCU) solicitar a suspensão parcial de verba pública destinada à escola Acadêmicos de Niterói. A agremiação desfilará no próximo dia 15 de fevereiro com o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, homenagem ao presidente Lula.

A medida do TCU está relacionada ao contrato de R$ 12 milhões firmado entre a Embratur e a Liesa, que prevê o repasse de R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial. O órgão fiscalizador reconhece que o Carnaval pode impulsionar o turismo internacional, mas aponta preocupação quando uma escola contemplada decide homenagear uma figura política que está no poder, levantando questionamentos sobre o uso de recursos públicos.

Parlamentares de oposição passaram a contestar o repasse, alegando possível desvio de finalidade e desequilíbrio político, sobretudo pelo fato de Lula poder disputar a reeleição ainda neste ano. 

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