Morre o autor de novelas Manoel Carlos, anos 92 anos
Criador de personagens icônicas e retratos do cotidiano, dramaturgo morreu no Rio de Janeiro
247 - Morreu neste sábado (10), no Rio de Janeiro, o autor, diretor, produtor e escritor Manoel Carlos, aos 92 anos. Reconhecido como um dos maiores nomes da história da televisão brasileira, o dramaturgo estava internado e teve a morte confirmada por meio de uma nota divulgada pelo perfil Boa Palavra. O velório será fechado, restrito a familiares e amigos próximos, conforme informou a família, que pediu respeito e privacidade neste momento de luto. As informações são do jornal O Globo.
Especialista em retratar emoções e conflitos do universo feminino, Manoel Carlos eternizou nas novelas uma personagem recorrente que atravessou gerações: Helena. A figura esteve presente em produções marcantes como Baila Comigo (1981), interpretada por Lílian Lemmertz; Felicidade (1991), com Maitê Proença; História de Amor (1995), Por Amor (1997) e Páginas da Vida (2006), todas com Regina Duarte; Laços de Família (2000), com Vera Fischer; Mulheres Apaixonadas (2003), protagonizada por Christiane Torloni; Viver a Vida (2009), que teve Taís Araújo como a primeira Helena negra do autor; e Em Família (2014), estrelada por Júlia Lemmertz.
Outro traço marcante de sua obra foi a escolha do Leblon como cenário recorrente. O bairro carioca ganhou destaque nas tramas por reunir personagens inspirados em tipos reais, com dilemas cotidianos e sentimentos profundos. Ao comentar essa ambientação, Manoel Carlos afirmou ao projeto Memória Globo: “Situo as minhas novelas no Rio de Janeiro. Faço coisas muito fortes, sob um céu muito azul. As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento, mas o público acaba absorvendo as tramas de maneira mais leve”.
Além das novelas, o autor deixou sua marca em minisséries que se tornaram clássicos da televisão, como Malu Mulher (1980), Presença de Anita (2001) e Maysa – Quando Fala o Coração (2009), ampliando o alcance de sua obra para além da teledramaturgia tradicional.
Manoel Carlos Gonçalves de Almeida nasceu em 14 de março de 1933, em São Paulo, filho do comerciante José Maria Gonçalves de Almeida e da professora Olga de Azevedo Gonçalves de Almeida. Apesar da certidão paulista, sempre se declarou carioca de coração e manteve uma relação afetiva profunda com o Rio de Janeiro, cidade que inspirou grande parte de sua produção artística.
A trajetória profissional começou cedo. Aos 14 anos, trabalhou como auxiliar de escritório, mas logo se aproximou do meio artístico ao integrar o grupo Adoradores de Minerva, formado por jovens que se reuniam na Biblioteca Municipal de São Paulo para discutir literatura e teatro. Entre os participantes estavam nomes que se tornariam referências culturais, como Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Flávio Rangel e Antunes Filho.
Aos 17 anos, em 1951, estreou como ator na TV Tupi paulista, no Grande Teatro Tupi, sob direção de Antunes Filho. No ano seguinte, foi premiado como ator revelação e passou a atuar também como produtor, diretor e roteirista. Entre as décadas de 1950 e 1960, circulou por emissoras como TV Record, TV Itacolomi, TV Rio, TV Tupi e TV Excelsior, além de ter trabalhado no Jornal do Commercio, em Recife, acumulando experiência em diferentes linguagens e formatos.
Na TV Rio, dividiu a redação do Chico Anysio Show com Ziraldo e Mário Tupinambá e dirigiu programas humorísticos estrelados por Chico Anysio. Também integrou a chamada Equipe A, responsável por criar e produzir atrações históricas da TV Record, como Família Trapo, O Fino da Bossa e Hebe Camargo.Manoel Carlos chegou à TV Globo em 1972, como diretor-geral do Fantástico, cargo que ocupou por três anos. Em 1978, estreou como novelista da emissora ao adaptar o romance Maria Dusá, de Lindolfo Rocha, transformado na novela Maria, Maria, exibida no horário das 18h.



