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Na TV dos EUA, Wagner Moura compara Bolsonaro a Trump e celebra: "está preso"

Ator comentou política brasileira e o filme “O Agente Secreto” durante entrevista a Jimmy Kimmel às vésperas do Oscar

Wagner Moura e Jimmy Kimmel (Foto: Reprodução/YouTube/Jimmy Kimmel ao vivo)

247 - O ator brasileiro Wagner Moura afirmou que o filme “O Agente Secreto” nasceu da perplexidade dele e do diretor Kleber Mendonça Filho diante do governo de Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita durante participação no programa Jimmy Kimmel Live!, nos Estados Unidos, poucos dias antes da cerimônia do Oscar, marcada para 15 de março. 

Durante a entrevista exibida na quarta-feira (4), Moura comentou que o contexto político recente do Brasil influenciou diretamente a criação do longa-metragem que lhe rendeu indicação ao Oscar de melhor ator. Ao falar sobre o tema, o ator foi enfático: “Esse filme não teria acontecido se não fosse por causa dele”, disse, referindo-se a Bolsonaro.

Comentário sobre Bolsonaro no talk show

Em tom bem-humorado, Wagner Moura afirmou que, caso vença a estatueta do Oscar, cogita repetir um gesto irônico feito pelo apresentador Jimmy Kimmel quando recebeu o prêmio de melhor talk show no Critics Choice Awards. Na ocasião, Kimmel agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo: “Obrigado, Sr. Presidente, por todas as muitas coisas ridículas que você faz a cada dia”.

O ator brasileiro disse que poderia adaptar a brincadeira ao contexto político do Brasil. “Mas o nosso Trump está na prisão”, afirmou Moura, ao chamar Bolsonaro de “o Trump brasileiro”, comentário que provocou aplausos da plateia presente no estúdio.

Política brasileira e memória da ditadura

Durante a conversa, Jimmy Kimmel também perguntou ao ator como ele se sente ao ver Bolsonaro responder judicialmente pela chamada trama golpista. Moura respondeu de forma direta: “É uma sensação boa”.

O artista relacionou o atual cenário político brasileiro com a memória da ditadura militar. Segundo ele, os ecos daquele período ainda influenciam a política do país e ajudam a compreender a eleição de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, Moura afirmou que a reação institucional diante de tentativas de ruptura democrática foi rápida justamente porque o Brasil conhece as consequências de regimes autoritários.

Dificuldades com "Marighella"

Na entrevista, o ator também relembrou as dificuldades enfrentadas para lançar o filme “Marighella”, dirigido por ele, durante o governo Bolsonaro. A produção, centrada na história do guerrilheiro Carlos Marighella, enfrentou obstáculos no período e acabou se tornando um dos projetos mais debatidos do cinema brasileiro recente.

Além da política brasileira, Moura discutiu temas da política internacional com o apresentador. Entre os assuntos mencionados estiveram ameaças tarifárias feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil e episódios recentes envolvendo agentes federais de imigração nos Estados Unidos.

Ao comentar casos de violência envolvendo autoridades norte-americanas, o ator questionou: “Esse é o país que exporta para o resto do mundo a luta pelos direitos civis?” e completou: “Esse é o país de Martin Luther King?”.

Momentos descontraídos no programa

A entrevista também teve momentos mais leves. Jimmy Kimmel exibiu uma imagem do Carnaval de Olinda em que Wagner Moura foi homenageado com um dos tradicionais bonecos gigantes da festa e perguntou se ele havia levado a peça para casa. O ator respondeu em tom de brincadeira: “Eu levaria para todas as reuniões de família”.

Moura irá à cerimônia do Oscar acompanhado da esposa, Sandra Delgado, e de três amigos. Entre eles estará o ator Lázaro Ramos, conforme revelou em entrevista ao site Letterboxd.

Trajetória internacional

Essa não foi a primeira participação de Wagner Moura no Jimmy Kimmel Live!. Em 2016, o ator esteve no talk show para divulgar a série “Narcos”, na qual interpretou Pablo Escobar. O papel lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator em série dramática.

Criado em 2003 e exibido pela rede ABC, o programa apresentado por Jimmy Kimmel combina entrevistas com celebridades, quadros de humor e apresentações musicais. Embora não tenha transmissão oficial no Brasil, as entrevistas costumam ser disponibilizadas integralmente no canal oficial do talk show no YouTube após a exibição nos Estados Unidos.

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