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Obra de Cidinha da Silva investiga a experiência de escritoras negras no mercado editorial

Livro 'Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: Nós e os livros' apresenta uma análise crítica das estruturas do sistema literário

Obra de Cidinha da Silva investiga as tensões, armadilhas e insurgências que atravessam a experiência de escritoras negras no mercado editorial (Foto: Divulgação)

247 - A escritora e ensaísta Cidinha da Silva apresenta seu novo livro, que reúne 16 ensaios dedicados a discutir as tensões, limitações e formas de resistência vividas por mulheres negras no mercado editorial. A obra de estreia da autora na coleção Nos.Otras, intitulada "Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: Nós e os livros", aborda a experiência de escritoras negras a partir de uma análise crítica das estruturas do sistema literário, articulando reflexão teórica e observação sobre práticas do setor.

O livro é organizado a partir de três eixos simbólicos, chamados de Casulo, Lagarta e Borboleta. O primeiro trata do enquadramento de autoras negras em papéis restritos, frequentemente associados à educação e à mediação de letramentos. O segundo eixo analisa as exigências impostas às escritoras para que expliquem ou justifiquem suas obras, em vez de debaterem suas técnicas e processos de criação. Já o terceiro aborda a insurgência estética e política dessas autoras diante de mecanismos de exclusão e seleção desigual no mercado editorial.

A autora também discute como narrativas tradicionais sobre mulheres públicas podem funcionar como formas de contenção simbólica, ao associá-las exclusivamente à abnegação e ao sacrifício, restringindo expressões de ira e contestação. A turnê de eventos de lançamento acontece em abril e maio, em Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS).

Em um dos trechos destacados da obra, Cidinha da Silva afirma: "O lugar da fala, seja escrita ou vocalizada, é arena pública, campo fundamental de construção de imaginários, anterior mesmo à disputa de narrativas. O livro não é um refúgio íntimo, como tentam impor às mulheres que escrevem, como se tudo fosse um diário juvenil. O livro é o espaço daquilo que se deseja tornar público, e isso pode incluir (ou não) a intimidade".

A trajetória da autora conta com o lançamento de obras premiadas e com circulação em diferentes idiomas, além de participação em júris de prêmios literários e presença em políticas públicas de formação de acervo. O lançamento integra a Coleção Nos.Otras, dedicada a obras de mulheres latino-americanas que transitam entre literatura, ensaio, jornalismo e artes, com foco em produções de pensamento crítico e não ficcional.

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