Portinari emociona público chinês e fortalece laços culturais entre Brasil e China
Exposição em Pequim apresenta a obra do artista brasileiro a milhões de visitantes e consolida a cultura como ponte entre os dois países
247 – A obra de Cândido Portinari ganhou destaque em Pequim, onde uma exposição dedicada ao artista brasileiro tem emocionado o público chinês e ampliado os laços culturais entre Brasil e China. Em um país marcado pela valorização da cultura, do conhecimento e do intercâmbio entre civilizações, a exposição apresenta ao público chinês personagens, paisagens e histórias do Brasil por meio da obra de um dos maiores nomes da arte nacional. A mostra integra o Ano Cultural Brasil-China e é tratada como um marco nas relações culturais entre os dois países, segundo aponta reportagem da CGTN.
João Cândido Portinari, filho do artista e responsável pela preservação de seu legado, definiu a obra do pai com uma palavra: “compaixão”. Segundo ele, Portinari expressava “a empatia e a vontade de ajudar o outro, sentir a dor do outro”.
Aos 87 anos, João Cândido lembrou que iniciou o Projeto Portinari quando tinha 40 anos e afirmou que a exposição na China representa o ponto mais alto de uma trajetória de quase cinco décadas. “Há 47 anos nós estamos trabalhando para esse momento aqui. Então, é o ponto culminante da nossa trajetória. Depois disso aqui eu não sei mais o que fazer, só se levar Portinari para a Lua”, disse.
Portinari como símbolo de paz e fraternidade
João Cândido também destacou o significado político e civilizatório da aproximação entre Brasil e China. Para ele, os dois países compartilham uma vocação pela paz, pelo trabalho e pela fraternidade.
“A China hoje em dia é a grande fiadora da paz universal. Nós estamos vivendo um mundo conflagrado por violência, por guerra. E a China nunca invadiu um outro país. A China quer compartilhar os benefícios para todos”, afirmou.
Ele acrescentou que a aproximação entre brasileiros e chineses expressa valores comuns. “O Brasil também aspira a esse ideal. Então, nós somos parceiros, na verdade, nesse ideal. Ideal de paz, de trabalho, de fraternidade”, disse.
Cultura amplia parceria estratégica
A exposição reforça uma relação que já é marcada por forte intercâmbio econômico. Brasil e China mantêm vínculos comerciais cada vez mais intensos, mas a dimensão cultural tem se consolidado como elemento essencial para aprofundar a amizade entre os dois povos.
“O Brasil e a China têm relações econômicas cada vez mais intensas e nós acreditamos que os laços de amizade vão se fortalecer a partir da dimensão cultural. Então, o Ano Cultural Brasil-China tem sido uma oportunidade de mostrar a diversidade cultural brasileira aqui e a exposição do Portinari é um marco nesse momento de relações culturais”, afirma o vídeo.
A mostra acontece no museu mais importante da China e representa a primeira exposição individual de Portinari na Ásia. A expectativa é que mais de 4 milhões de chineses visitem a exposição durante o período em que ela estiver aberta ao público.
Trabalhadores como protagonistas
A obra de Portinari também dialoga com aspectos da história chinesa, especialmente por seu olhar voltado ao povo, aos trabalhadores e às pessoas comuns. Esse elemento tem despertado identificação entre os visitantes.
“Eu também vejo muito paralelo entre a arte de Portinari e a história da China. Porque, se você olhar, o mundo com o qual ele sonhava era o mundo em que os trabalhadores seriam os protagonistas. Então, isso é muito encantador na obra do Portinari”, afirma Leonardo Attuch, editor do 247.
A força humanista do artista brasileiro aparece como um dos elementos centrais da exposição. Portinari retratou retirantes, camponeses, crianças, trabalhadores e cenas populares, construindo uma linguagem artística profundamente vinculada à realidade social do Brasil.
Arte brasileira inspira juventude chinesa
Um dos momentos mais simbólicos da visita à exposição foi o encontro de uma estudante chinesa de 17 anos com a obra de Portinari. Após conhecer o artista pela primeira vez, ela passou o dia reproduzindo uma das pinturas expostas no museu.
A cena sintetiza o alcance da mostra: uma jovem chinesa inspirada por um artista brasileiro, em um gesto que atravessa idiomas, fronteiras e gerações.
Mais do que uma exposição, a presença de Portinari em Pequim revela o poder da cultura de aproximar povos, despertar curiosidade e criar conexões humanas. Em tempos de tensões internacionais, a arte brasileira chega à China como símbolo de diálogo, sensibilidade e fraternidade entre civilizações.



