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Wagner Moura: 'Brasil viveu momento fascista entre 2018 e 2022'

Ator relaciona ataques à cultura ao avanço do autoritarismo e celebra reação do público brasileiro ao cinema nacional

Wagner Moura e Seth Meyers (Foto: Reprodução/X/@LateNightSeth)

247 - Wagner Moura usou um espaço de grande audiência na televisão dos Estados Unidos para fazer uma crítica direta ao período político vivido pelo Brasil entre 2018 e 2022, sob o governo Jair Bolsonaro (PL). Convidado do talk show Late Night with Seth Meyers, o ator falou sobre o reconhecimento internacional do filme O agente secreto e fez uma análise contundente sobre os impactos do autoritarismo na cultura brasileira.

A entrevista foi exibida na madrugada desta terça-feira (6). Durante a conversa, Seth Meyers mencionou a indicação de Wagner Moura ao Globo de Ouro e destacou o simbolismo de um filme profundamente ligado às origens do ator alcançar projeção internacional. A resposta abriu espaço para uma reflexão mais ampla sobre política, cultura e democracia.

“Sim, é muito importante para nós. Acho que é importante para os brasileiros, porque naquele período, de 2018 a 2022, quando o Brasil viveu aquele momento fascista, no manual do fascismo a primeira coisa que eles fazem é atacar. E o que eles atacam são as universidades, os jornalistas e os artistas”, afirmou Wagner Moura, ao contextualizar o atual sucesso do longa dirigido por Kleber Mendonça Filho.

O ator foi além e descreveu o que classificou como uma estratégia deliberada de deslegitimação da produção cultural no país. “Eles foram muito eficazes ao tentar transformar os artistas no Brasil em inimigos do povo, com esse tipo de composição populista”, disse, ao comentar o ambiente de hostilidade enfrentado por criadores e intelectuais no período.

Segundo Moura, o cenário começou a mudar com a reação do público brasileiro, que passou a demonstrar apoio explícito a produções nacionais reconhecidas no exterior. Para ele, esse movimento tem um forte valor simbólico e político. “Então, ver os brasileiros, desde o ano passado, quando um filme chamado ‘Ainda Estou Aqui’ — que foi outro filme brasileiro — ganhou um Oscar, ver os brasileiros torcendo por esse filme e vendo esses artistas como pessoas que nos representam, acho isso simplesmente lindo”, declarou.

O ator concluiu destacando o significado coletivo desse momento para o país. “E eu fico muito feliz pelos brasileiros e pela nossa cultura”, afirmou, reforçando a ideia de que o reconhecimento internacional do cinema nacional também funciona como uma resposta aos ataques sofridos nos anos recentes.

A participação de Wagner Moura no programa norte-americano ocorreu em meio à campanha internacional de O agente secreto, que vem ganhando espaço no circuito de festivais e premiações.

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