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Washington Post destaca atuação de Wagner Moura após indicações ao Oscar

“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, conquista quatro indicações e recoloca o cinema brasileiro no centro da disputa

Wagner Moura celebra conquista no Globo de Ouro 11/1/2026 REUTERS/Mario Anzuoni (Foto: Mario Anzuoni)

247 – O ator Wagner Moura voltou ao centro do radar internacional após a divulgação dos indicados ao Oscar 2026, e sua performance em “O Agente Secreto” passou a ser tratada como um dos motores do prestígio alcançado pelo longa brasileiro no circuito global.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, os indicados à 98ª edição do Oscar, e o Brasil ganhou protagonismo com “O Agente Secreto”, que obteve quatro indicações, incluindo melhor filme, melhor filme internacional e melhor ator para Wagner Moura. A cerimônia está marcada para 15 de março, com apresentação do comediante norte-americano Conan O’Brien.

A repercussão também chegou à imprensa cultural dos Estados Unidos. O The Washington Post publicou uma análise sobre o impacto de Wagner Moura em uma narrativa descrita como um thriller político, em texto que associa o carisma e a densidade dramática do ator ao poder de atração da obra. A leitura se soma ao momento de alta visibilidade do filme, que entrou na disputa principal do Oscar e ampliou o alcance simbólico do cinema brasileiro nesta temporada.

Um thriller brasileiro com ambição internacional

Ambientado no Recife de 1977, “O Agente Secreto” aposta em uma narrativa de forte identidade brasileira, com atmosfera histórica e um olhar autoral reconhecível de Kleber Mendonça Filho. Ao mesmo tempo, o longa mobiliza temas capazes de atravessar fronteiras, o que ajuda a explicar por que a produção conseguiu romper o bloqueio de uma premiação tradicionalmente dominada por grandes campanhas de Hollywood e por países com presença consolidada na indústria do cinema.

O peso das indicações, neste contexto, vai além do reconhecimento artístico. Ele sinaliza um tipo de “virada de chave” para obras brasileiras que, mesmo quando premiadas em festivais, muitas vezes ficavam distantes do núcleo duro do Oscar. Com “O Agente Secreto”, o Brasil não aparece apenas como um concorrente periférico na categoria internacional, mas como protagonista de uma disputa que define o imaginário cinematográfico global do ano.

Melhor filme: Brasil entra na sala principal do Oscar

Na principal categoria da noite, “O Agente Secreto” concorre a melhor filme ao lado de títulos como Bugonia, F1, Frankenstein, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, Marty Supreme, Uma Batalha Após a Outra, Valor Sentimental, Pecadores e Sonhos de Trem.

Trata-se de uma lista que reúne projetos com grande apelo comercial, nomes consagrados e produções com fôlego industrial. Estar ali significa disputar atenção e prestígio em condições raras para um filme brasileiro, especialmente em um período em que o marketing de premiação costuma pesar tanto quanto o conteúdo.

É justamente por isso que o destaque à atuação de Wagner Moura, como sinalizado pelo Washington Post, ganha relevância adicional: em disputas desse porte, a figura central de um filme costuma funcionar como ponto de entrada para o público internacional e para segmentos decisivos da indústria.

Melhor filme internacional: uma disputa com Europa e África

Em melhor filme internacional, o representante brasileiro enfrenta produções da França (Foi Apenas um Acidente), Noruega (Valor Sentimental), Espanha (Sirât) e Tunísia (A Voz de Hind Rajab).

A lista evidencia, mais uma vez, o caráter global do Oscar contemporâneo, em que o “internacional” deixou de ser uma vitrine exótica e passou a ser um campo de disputa altamente competitivo, com países que investem pesado em projeção cultural e campanhas de premiação.

Nesse cenário, o desempenho de “O Agente Secreto” chama atenção por combinar presença internacional com assinatura estética brasileira, sem abrir mão de referências, ambientação e sensibilidade local. O Recife de 1977, longe de ser um detalhe, funciona como coração dramático do filme — um período histórico que pode ser lido como espelho de tensões políticas, sociais e culturais que continuam ecoando.

Melhor ator: Wagner Moura em uma lista de estrelas

A indicação de Wagner Moura a melhor ator reforça sua projeção internacional e o coloca lado a lado com nomes de enorme visibilidade: Timothée Chalamet (Marty Supreme), Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra), Ethan Hawke (Blue Moon) e Michael B. Jordan (Pecadores).

O lugar de Moura nessa lista não é apenas um reconhecimento individual. Na prática, ele amplia o alcance do filme e contribui para consolidar “O Agente Secreto” como uma das obras centrais da temporada, algo que o debate cultural norte-americano tende a capturar com rapidez quando identifica uma performance capaz de sustentar tensão, densidade psicológica e presença de tela.

É nesse ponto que o texto do Washington Post se encaixa no momento: a imprensa cultural internacional frequentemente “traduz” o impacto de um filme para o público local por meio de um elemento de identificação. No caso do longa brasileiro, a figura de Wagner Moura — já conhecida por trabalhos anteriores fora do Brasil — funciona como ponte, sem que o filme precise abrir mão de sua identidade.

As outras categorias e o retrato de um Oscar mais global

A lista de indicados também reúne nomes de peso em outras frentes. Em melhor atriz, aparecem Jessie Buckley (Hamnet), Rose Byrne (Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria), Kate Hudson (Song Sung Blue), Emma Stone (Bugonia) e Renate Reinsve (Valor Sentimental).

Entre os coadjuvantes, concorrem atores como Benicio Del Toro, Jacob Elordi, Sean Penn, Stellan Skarsgård e Delroy Lindo, indicando uma temporada marcada por elencos fortes e por uma disputa intensa em categorias de atuação.

O Oscar 2026 ainda contempla o amplo conjunto de categorias técnicas e artísticas — direção, roteiros, animação, documentário, trilha sonora, figurino, maquiagem, som, edição, efeitos visuais e curtas-metragens — compondo um mosaico de estilos, gêneros e nacionalidades. Essa diversidade reforça a dimensão global do prêmio e ajuda a explicar por que a presença brasileira, quando ocorre em grande escala, tem impacto imediato na percepção internacional do cinema nacional.

O que muda para o cinema brasileiro a partir daqui

As quatro indicações de “O Agente Secreto” reposicionam o Brasil em um terreno onde a conquista é tanto simbólica quanto prática. Simbólica porque reafirma a capacidade do país de produzir cinema autoral e competitivo no maior palco da indústria. Prática porque amplia o interesse de distribuidoras, plataformas, festivais e circuitos comerciais por obras brasileiras, especialmente quando há um nome com projeção global como Wagner Moura associado a uma narrativa que combina identidade local e alcance universal.

Ao colocar o Recife de 1977 no centro de uma história capaz de atravessar fronteiras, Kleber Mendonça Filho e sua equipe transformam um recorte brasileiro em linguagem cinematográfica de alto impacto. E, com Wagner Moura indicado a melhor ator, o filme ganha também a força de um rosto que, para a imprensa internacional, ajuda a traduzir a relevância de uma obra brasileira para além do rótulo “estrangeiro”.

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