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Indústria automobilística da China mantém liderança global em produção e vendas pelo 17º ano consecutivo

Desempenho é retrato da resiliência da economia chinesa e da transição em curso rumo a um modelo de crescimento mais qualificado e orientado pela inovação

Automóveis chineses aguardam embarque para exportação no porto de Lianyungang, província de Jiangsu, no leste da China (Foto: Wang Jianmin/Diário do Povo)

247 - Quem entra na fábrica da montadora chinesa BYD na Zona Especial de Cooperação de Shenshan, em Shenzhen, província de Guangdong, no sul da China, se depara de imediato com um espetáculo à parte: uma verdadeira "floresta de aço" composta por quase 1.000 robôs industriais operando em perfeita sincronia. A reportagem é do jornalista Wang Zheng, do Diário do Povo.

Sustentada por uma infraestrutura digital de desenvolvimento próprio e por um sistema de visão computacional habilitado por inteligência artificial, a instalação opera com precisão de estampagem de 1,8 mícrons e automação total no processo de soldagem.

O resultado fala por si: um novo veículo deixa a linha de produção a cada 51 segundos.

Essa unidade industrial traduz, em números e imagens, a velocidade e a sofisticação tecnológica que movem o setor automotivo chinês. A combinação entre manufatura inteligente de alta eficiência, uma cadeia de suprimentos doméstica consolidada, avanços tecnológicos em ritmo acelerado e o lançamento contínuo de modelos competitivos — tudo isso amparado por um ambiente regulatório favorável — tem alimentado de forma consistente a demanda interna e o crescimento das vendas.

Os números confirmam a trajetória: pela terceira vez consecutiva, a produção e as vendas de automóveis na China superaram a marca de 30 milhões de unidades cada, consolidando o país no topo do ranking mundial pelo inédito 17º ano seguido.

Esse desempenho expressivo é um retrato da resiliência da economia chinesa e de sua transição em curso rumo a um modelo de crescimento mais qualificado e orientado pela inovação — e isso a despeito de pressões externas consideráveis e de desafios internos que persistem.

O compromisso com a inovação vai longe — literalmente. Na manhã de 23 de dezembro de 2025, com o termômetro marcando 28 graus negativos em Mohe, na província de Heilongjiang, no extremo norte da China, Zhang Luchao, engenheiro de controle de sistemas de um instituto de pesquisa da Geely, embarcou em um teste de condução urbana de 10 quilômetros.

Ao ligar um Geely Galaxy Starship 7 que havia passado a noite ao relento, ele colocou à prova o sistema de gestão de energia com inteligência artificial do veículo. Segundo Zhang, o sistema aprende com os hábitos do motorista e decide, de forma autônoma, se deve ou não pré-aquecer o conjunto de baterias, levando em conta variáveis como horário de partida, temperatura interna e externa, condições climáticas e nível de carga — o que pode reduzir em até 30% o consumo energético do gerenciamento térmico.

Em 2025, a autonomia média dos veículos elétricos a bateria na China se aproximou dos 500 quilômetros. Paralelamente, tecnologias que até pouco tempo atrás eram promessas do futuro — como plataformas de carboneto de silício de 800 volts e sistemas de recarga rápida capazes de ir de zero a 80% em apenas 15 minutos — já operam em escala comercial.

As baterias de estado sólido avançaram para a fase de produção experimental em pequenos lotes, com previsão de fabricação em massa até 2027. A inovação seguiu em múltiplas frentes energéticas — elétrica, híbrida, hidrogênio e combustíveis sintéticos —, todas avançando de forma simultânea. A tecnologia de "super híbrido" desenvolvida na China, capaz de integrar diferentes modos de propulsão, consolidou-se no mercado doméstico e começou a ganhar espaço entre montadoras internacionais.

Com o avanço da eletrificação, as dúvidas sobre autonomia e infraestrutura de recarga perdem força progressivamente — o que, por sua vez, acelera a migração dos veículos a combustão para os veículos de nova energia (VNEs). Em 2025, a China produziu 16,626 milhões e vendeu 16,49 milhões de VNEs, expansões de 29% e 28,2% na comparação anual, respectivamente. Os VNEs já respondem por 47,9% do total de novos veículos emplacados no país.

As exportações acompanham esse ritmo. A China embarcou 2,615 milhões de VNEs ao exterior em 2025, o dobro do volume registrado no ano anterior. Os embarques de veículos de passeio dobraram, somando 2,532 milhões de unidades, enquanto as exportações de veículos comerciais chegaram a 83.000 unidades — alta de 86,8% em relação ao ano anterior.

Nesse mesmo cenário, a direção autônoma migra rapidamente da fase experimental para a aplicação em larga escala, configurando-se como uma das primeiras expressões comerciais concretas da inteligência embarcada. Mais de 60% dos novos veículos de passeio vendidos na China já saem de fábrica equipados com sistemas de assistência avançada ao condutor de Nível 2.

Em 15 de dezembro de 2025, dois modelos das montadoras Changan e BAIC receberam as primeiras autorizações do país para operar com direção autônoma de Nível 3, tornando-se os pioneiros nacionais a obter permissão para testes de veículos condicionalmente autônomos em vias públicas.

No campo regulatório, medidas adotadas pelo governo também contribuíram para trazer mais ordem ao mercado. Desde o ano passado, as autoridades intensificaram o combate à concorrência predatória por preços, reforçaram as inspeções de conformidade de produtos e ampliaram a fiscalização contra práticas comerciais desleais.

Esses esforços vêm surtindo efeito: problemas como guerras de preços desordenadas e compressão de margens mostram sinais de arrefecimento. De janeiro a novembro de 2025, os lucros do setor automotivo cresceram 7,5% na comparação anual — desempenho 3,1 pontos percentuais superior ao acumulado até outubro.

À medida que o setor abandona o modelo baseado em volume e preço baixo para apostar em inovação e agregação de valor, as principais montadoras elevam o padrão de seus produtos e ampliam o leque de ofertas premium.

Em 2025, uma série de modelos flagship, cada um expressando os diferenciais tecnológicos de suas respectivas marcas, conquistou forte presença no mercado. O Maextro S800, da Harmony Intelligent Mobility Alliance, capturou cerca de 50% das vendas no segmento de luxo acima de um milhão de yuans (US$ 145.262). Os modelos AITO M9, M8 e M7 dominaram, respectivamente, os rankings de SUVs nas faixas de 500.000, 400.000 e 300.000 yuans. Já o Voyah Dream manteve a liderança mensal nas vendas de MPVs de alto padrão, com ticket médio superior a 400.000 yuans.

Nesses segmentos, marcas domésticas premium de veículos de nova energia — como AITO, Li Auto, Zeekr, Voyah e Xiaomi — registraram crescimento conjunto de vendas superior a 40% em relação ao ano anterior em 2025.

Para Chen Shihua, secretário-geral adjunto da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis, o setor deve seguir em trajetória estável ao longo de 2026, sustentado pela continuidade das políticas de incentivo à renovação de equipamentos industriais e à troca de bens de consumo, enquanto a China aprofunda sua transição rumo a um desenvolvimento de maior qualidade.

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