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Robôs cirúrgicos da China atendem pacientes em todo o mundo

O ano de 2026 marca um momento decisivo para a indústria chinesa de robôs cirúrgicos

Um médico realiza uma operação remota no centro internacional de cirurgia robótica remota do Hospital West China da Universidade de Sichuan, em Chengdu, província de Sichuan, no sudoeste da China, em 20 de março de 2026 (Foto: Xinhua/Dong Xiaohong)

247 - Sentado diante de um console dentro de um hospital na província chinesa de Sichuan, no sudoeste do país, o médico polonês Piotr Suwalski mantinha o olhar fixo na tela enquanto manipulava um robô cirúrgico localizado a mais de 7 mil quilômetros de distância, na Polônia. A reportagem é da agência Xinhua, publicada no Diário do Povo

Cerca de duas horas depois, a cirurgia foi concluída com sucesso, reforçando a confiança do médico em promover a tecnologia em seu país.

Suwalski, diretor do Instituto Médico Nacional vinculado ao Ministério do Interior e Administração da Polônia, afirmou que o campo cirúrgico era excepcionalmente claro e que o paciente apresentou menos sangramento em comparação com cirurgias tradicionais de tórax aberto.

O procedimento foi uma das sete operações remotas realizadas com sucesso no centro internacional de cirurgia robótica remota do Hospital West China da Universidade de Sichuan no início deste mês, em Chengdu, capital provincial.

Inaugurado em 21 de março, o centro pretende tornar-se uma plataforma internacional de cirurgia inteligente, promovendo uma mudança nos serviços médicos do modelo de “trazer pacientes” para o de “enviar tecnologias”.

Wu Hong, especialista em transplante de fígado e vice-presidente do hospital, afirmou que a criação do centro representa um benefício médico concreto para os pacientes.

Ele citou as cirurgias hepatobiliares e pancreáticas como exemplo: “Em vez de viajar até Chengdu para realizar a operação, pacientes e suas famílias agora podem passar por cirurgias assistidas por robôs em suas cidades de origem, reduzindo custos financeiros e de tempo em até 80%.”

Para garantir a segurança das cirurgias remotas, foi estabelecida no centro uma equipe profissional composta por especialistas cirúrgicos, anestesiologistas, equipe de enfermagem, engenheiros de rede e engenheiros de equipamentos, operando sob um mecanismo de resposta emergencial 24 horas por dia.

Um médico brasileiro, Carlos Eduardo Domene, também realizou uma cirurgia a partir do centro em um paciente localizado a mais de 10 mil quilômetros de distância, no Brasil, por meio do sistema de cirurgia robótica remota.

Presidente da Associação Brasileira de Robótica, Domene destacou o desempenho do equipamento, com imagem em ultra-alta definição e ausência de latência perceptível.

“As tecnologias e equipamentos médicos de ponta da China estão sendo introduzidos no Brasil por meio da Iniciativa Cinturão e Rota, beneficiando mais pacientes em toda a América do Sul”, acrescentou.

O ano de 2026 marca um momento decisivo para a indústria chinesa de robôs cirúrgicos, já que a divulgação das primeiras diretrizes nacionais de precificação desses serviços deve inaugurar uma nova fase de crescimento regulado, impulsionada por apoio político e aumento da demanda de mercado.

Em escala global mais ampla, os robôs cirúrgicos chineses já atraem crescente atenção internacional. Segundo dados da Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Medicamentos e Produtos de Saúde, as exportações de robôs cirúrgicos chineses cresceram 368,1% em 2025 em relação ao ano anterior, refletindo o rápido reconhecimento global dos equipamentos médicos produzidos no país em termos de capacidade tecnológica e competitividade internacional.

À medida que a Iniciativa Cinturão e Rota avança, robôs cirúrgicos chineses e outros dispositivos médicos aceleram sua expansão nos mercados internacionais.

As exportações chinesas de equipamentos médicos totalizaram 45,8 bilhões de dólares em 2025, aumento de 62,4% em relação a 2019, informou a Associação Chinesa de Equipamentos Médicos, acrescentando que o setor vem migrando de uma vantagem competitiva baseada em custos para outra sustentada por tecnologia e força de marca.

Durante uma conferência internacional sobre robôs cirúrgicos realizada no fim de março em Chengdu, mais de 700 especialistas e pesquisadores da América do Norte, Europa e Ásia discutiram inovação e desenvolvimento nessa área.

Luo Fengming, presidente do Hospital West China da Universidade de Sichuan, afirmou no evento que a inauguração do centro internacional de cirurgia robótica remota continuará impulsionando o desenvolvimento inovador das tecnologias de robótica cirúrgica.

O hospital também planeja estabelecer, em julho, um centro de controle remoto de robôs cirúrgicos no Egito para apoiar a adoção local da tecnologia e ajudar médicos a aprimorar suas capacidades na área, beneficiando, em última instância, os pacientes.

Para a próxima etapa, Luo acredita que os esforços devem se concentrar no aprimoramento da rede de cirurgias remotas e na ampliação da inovação tecnológica, da aplicação clínica, da formação de profissionais e de outros aspectos.

“Por meio de uma colaboração internacional mais estreita, trabalharemos juntos para transformar os robôs cirúrgicos em uma tecnologia mais precisa, inteligente e acessível”, afirmou Luo.

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