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Abraget rebate críticas ao leilão de reserva do setor elétrico e alerta que ofensiva privada aumenta risco de apagões

A entidade afirma que a segurança eletroenergética do Brasil exige planejamento de longo prazo

Linhas de transmissão de energia 11/10/2021 (Foto: REUTERS/Cesar Olmedo)
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247 – A Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget) rebateu as críticas feitas pela Fiesp ao Leilão de Reserva de Capacidade por Potência (LRCAP) e afirmou que o certame é uma medida necessária para garantir a segurança energética do Brasil, preservar a estabilidade do Sistema Interligado Nacional e evitar riscos de apagões.

Em nota, a entidade sustenta que a revisão dos preços-teto feita pelo Ministério de Minas e Energia ocorreu em razão de uma conjuntura excepcional no mercado global de equipamentos para geração térmica. Segundo a Abraget, a expansão acelerada de data centers e o avanço da eletrificação em várias economias provocaram forte pressão de demanda sobre turbinas e equipamentos críticos, gerando alta histórica de preços.

A associação afirma que esse cenário mundial não foi considerado adequadamente na primeira versão dos preços-teto, por um equívoco reconhecido pelo próprio Ministério de Minas e Energia. Para a entidade, a correção foi indispensável para atrair oferta ao leilão e evitar o risco de o certame “dar vazio”, o que deixaria o País mais exposto a falhas no suprimento elétrico.

Abraget contesta tese de falta de competição

A Abraget também rejeita a alegação de ausência de competição no leilão. Segundo a entidade, o elevado número de projetos cadastrados demonstra interesse do mercado e disputa efetiva entre empreendedores.

A associação reconhece que os preços não tiveram reduções expressivas, mas atribui esse resultado ao choque global de demanda sobre a cadeia produtiva, que elevou custos de equipamentos, financiamento e implantação.

Para os produtos com entrega prevista em prazo mais longo, como 2031, a Abraget afirma que os descontos ficaram em patamar semelhante ao registrado no LRCAP de 2021. Já nos projetos com entrega em 2028 e 2029, a entidade aponta que a demora na execução do leilão gerou custos adicionais associados à urgência, aumentando preços e percepção de risco.

Segurança energética exige capacidade firme

A Abraget sustenta que o volume contratado está alinhado a estudos técnicos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e de consultorias especializadas. Esses estudos apontam a necessidade de ampliar a capacidade firme para garantir segurança e confiabilidade ao Sistema Interligado Nacional diante do avanço acelerado das fontes renováveis intermitentes.

A entidade afirma que a segurança eletroenergética do Brasil exige planejamento de longo prazo e decisões estruturais compatíveis com a transformação da matriz elétrica brasileira.

Nesse contexto, o LRCAP é apresentado pela Abraget como uma medida indispensável para assegurar atendimento à demanda futura, estabilidade operacional e confiabilidade no suprimento.

Entidade critica nota da Fiesp

A Abraget também fez críticas duras à manifestação da Fiesp. Para a associação, iniciativas sem embasamento técnico e sem provas contribuem para aumentar a insegurança jurídica, prejudicam a execução do planejamento energético e elevam o custo de capital no País.

A entidade afirma que esse tipo de atuação representa um “desserviço” à sociedade e à própria indústria, que deveria ser defendida pela Fiesp. Na avaliação da Abraget, questionamentos sem base técnica criam riscos de apagões e reduzem a competitividade econômica do Brasil em um momento geopolítico crítico.

A nota reforça a posição de setores do governo e do mercado elétrico que veem o LRCAP como estratégico para garantir a expansão da oferta de energia, dar previsibilidade ao setor e proteger o País de vulnerabilidades no abastecimento.

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