Acordo UE-Mercosul avança e entra em fase decisiva após aval preliminar
Entenda quais são os próximos passos do tratado comercial entre União Europeia e Mercosul e os obstáculos políticos que ainda precisam ser superados
247- A negociação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul deu um passo relevante nesta sexta-feira (9), após a maioria dos embaixadores dos países-membros do bloco europeu aprovar, de forma provisória, o texto do tratado. A decisão permite que o processo avance para uma nova etapa institucional, embora ainda dependa de confirmações formais e de aval político em instâncias superiores da UE, explica o Metrópoles.
Apesar do apoio majoritário, a aprovação ainda precisa ser confirmada por escrito até o fim do expediente em Bruxelas, antes de o acordo seguir para os próximos procedimentos formais.
Concluída essa etapa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, estará autorizada a assinar o acordo com os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — possivelmente já na próxima semana. No entanto, a assinatura não encerra o processo. Para que o tratado entre efetivamente em vigor, será necessária a aprovação do Parlamento Europeu, além dos trâmites internos de ratificação em cada uma das partes envolvidas.
A União Europeia defende o acordo como um instrumento para eliminar tarifas elevadas e reduzir procedimentos considerados onerosos para exportações agroalimentares europeias. O texto também prevê o fortalecimento da proteção de produtos tradicionais da UE contra imitações, além de mecanismos para limitar o impacto de importações agrícolas dentro de volumes previamente acordados. Segundo o bloco, as regras rigorosas de segurança alimentar e de proteção à saúde humana, animal e vegetal serão mantidas sem exceções.
Apesar do avanço institucional, o tratado segue enfrentando forte resistência política e social dentro da própria Europa. França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria manifestaram oposição direta ao acordo, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. O foco mais intenso dos protestos está na França, onde agricultores têm promovido manifestações contra o pacto.
Os produtores franceses argumentam que o acordo pode gerar concorrência desleal, ao permitir a entrada de produtos sul-americanos produzidos sob normas ambientais e sanitárias diferentes das exigidas na União Europeia. O temor é de que isso pressione preços e comprometa a sustentabilidade econômica do setor agrícola europeu.
Do ponto de vista estratégico, o acordo é visto como um dos maiores pactos comerciais do mundo, ao integrar duas grandes regiões econômicas. A iniciativa é apresentada como uma forma de fortalecer o comércio global, ampliar a competitividade econômica e aumentar a estabilidade geoeconômica em um cenário internacional marcado por disputas comerciais.
Para os países do Mercosul, o tratado representa a ampliação do acesso ao mercado europeu, com potencial impacto positivo sobre exportações e investimentos. Já para a União Europeia, o acordo é interpretado como uma oportunidade de diversificar parceiros comerciais e reduzir dependências externas.
Mesmo com a expectativa de assinatura, ainda há etapas técnicas e políticas relevantes a serem concluídas. Entre elas, está a definição de salvaguardas específicas para proteger setores agrícolas considerados sensíveis, incluindo regras que permitam suspender preferências tarifárias caso sejam identificados prejuízos significativos às produções locais.



