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Alckmin aposta em queda da Selic na próxima reunião do Copom: "não há mais razão para este patamar"

Presidente em exercício cita inflação de 4,4%, dólar em queda e desemprego baixo ao defender redução da taxa básica de juros

Alckmin aposta em queda da Selic na próxima reunião do Copom: "não há mais razão para este patamar" (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

247 - O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, voltou a defender nesta quinta-feira (19) a redução da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. Segundo ele, o atual patamar da taxa não encontra justificativa no cenário econômico e o governo espera que o Banco Central inicie um ciclo de cortes já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 17 e 18 de março.

As declarações de Alckmin, segundo o Metrópoles, foram feitas durante participação na abertura da 35ª Festa Nacional da Uva e Feira Agroindustrial, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. No evento, o ministro também se reuniu com empresários ligados aos setores industrial e vitivinícola.

Declaração em evento no Rio Grande do Sul

Ao falar com jornalistas, Alckmin afirmou que a equipe econômica avalia de forma positiva os indicadores recentes e demonstrou confiança em uma mudança na condução da política monetária.

“Estamos otimistas com a queda dos juros. Não há razão mais para manter os juros nesse patamar. Então já há uma sinalização de que a próxima reunião do Copom deve ter queda de juros”, disse o presidente em exercício.

Alckmin está no comando interino do Palácio do Planalto durante a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que retorna ao Brasil na próxima semana após compromissos oficiais na Índia e na Coreia do Sul.

“Não há razão mais para manter os juros nesse patamar”

O ministro reforçou que a economia apresenta sinais que sustentam a redução dos juros, destacando a melhora de indicadores que afetam diretamente o cotidiano da população.

De acordo com ele, o país registra atualmente a menor “taxa de desconforto”, indicador que soma inflação anual e desemprego para medir o impacto da economia sobre o bem-estar social.

“Quando a inflação está baixa, o desemprego está alto. Quando o desemprego está baixo a inflação está alta. Nós estamos com os dois baixos, nós estamos com a menor taxa de desconforto. Ou seja, inflação de 4,4%, abaixo do teto, em tendência de queda. O dólar que estava US$ 6,30 veio para US$ 5,20 e a taxa de desemprego também está baixa”, afirmou.

Alckmin cita inflação, dólar e desemprego para defender corte

Ao citar a inflação em 4,4% e o recuo do dólar, Alckmin defendeu que o país vive um ambiente mais estável, com possibilidade de estímulo ao crescimento econômico. Para ele, o contexto atual favorece a redução do custo do crédito e pode impulsionar investimentos e consumo. A declaração ocorre em meio ao debate sobre os efeitos de juros elevados na atividade econômica, especialmente em setores produtivos que dependem de financiamento.

Ata do Copom sinaliza possível início de flexibilização

Na última reunião do Copom, realizada nos dias 27 e 28 de janeiro, a taxa Selic foi mantida em 15%. Apesar disso, o Banco Central sinalizou na ata que poderá iniciar cortes na próxima reunião, caso o cenário esperado se confirme.

“O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz trecho do documento.

O texto também ressalta que a decisão dependerá “da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.

Selic atinge maior nível desde 2006

A Selic permanece no maior patamar em quase duas décadas. Segundo a série histórica, o índice é o mais elevado desde julho de 2006, período que marcou o fim do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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