Arrecadação federal bate novo recorde e soma R$ 229 bilhões em março
Arrecadação federal bate recorde em março com alta de 5% e impulso de tributos e atividade econômica
247 - A arrecadação federal bateu recorde em março ao atingir R$ 229,2 bilhões, com alta real de 4,99% em relação ao mesmo mês do ano passado, impulsionada pelo crescimento econômico e pelo aumento na cobrança de tributos. O resultado representa o maior valor já registrado para meses de março desde o início da série histórica, em 1995.
De acordo com dados divulgados pela Receita Federal, o desempenho reflete principalmente a expansão da contribuição previdenciária e o avanço na arrecadação de impostos como PIS/Cofins, Imposto de Renda Retido na Fonte sobre capital e o IOF.
Crescimento da arrecadação e fatores determinantes
Segundo a Receita Federal, o recorde foi puxado por diferentes fontes de receita, com destaque para tributos ligados à atividade econômica. O aumento da arrecadação também está associado às medidas adotadas nos últimos anos para elevar a carga tributária e ampliar a base de arrecadação.
Entre as mudanças implementadas estão a tributação de fundos exclusivos e de investimentos no exterior, alterações em incentivos fiscais concedidos por estados, aumento de impostos sobre combustíveis, taxação de compras internacionais e a reoneração gradual da folha de pagamentos. Também contribuíram o fim de benefícios fiscais para o setor de eventos, a taxação de apostas esportivas e o aumento do IOF sobre crédito e câmbio.
Resultado do primeiro trimestre também é recorde
No acumulado dos três primeiros meses do ano, a arrecadação federal somou R$ 777,12 bilhões em valores nominais. Considerando a correção pela inflação, o total chegou a R$ 784,24 bilhões, o que representa crescimento real de 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse montante também configura o maior resultado já registrado para um primeiro trimestre na série histórica.
Meta fiscal e impacto nas contas públicas
O governo federal projeta que o aumento da arrecadação será fundamental para cumprir a meta fiscal de 2026, que prevê um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões.
O arcabouço fiscal permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que significa que a meta será considerada cumprida mesmo em caso de resultado zero ou de superávit mais elevado, de até R$ 68,6 bilhões.
Apesar disso, o modelo também autoriza a exclusão de até R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo oficial, como gastos com precatórios. Na prática, a previsão é de que o governo registre déficit de aproximadamente R$ 23,3 bilhões em 2026, mesmo que o resultado formal indique superávit.
Se confirmada essa projeção, as contas públicas deverão permanecer no vermelho ao longo de todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



