Banco Central vê com cautela venda de ativos do BRB ao mercado
Operação de R$ 20 bilhões com Quadra Capital ainda não foi comunicada à autoridade monetária e pode gerar prejuízo mínimo de R$ 5 bilhões ao banco público
247 - O Banco de Brasília (BRB) ainda não comunicou oficialmente ao Banco Central a operação que envolve a venda de ativos do Banco Master para a gestora Quadra Capital. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S.Paulo, que apurou que a autoridade monetária acompanha o caso com cautela e aguarda mais detalhes sobre a transação.
A negociação prevê a venda de cerca de R$ 20 bilhões em ativos por R$ 15 bilhões, o que pode resultar em um prejuízo inicial estimado em R$ 5 bilhões. Apesar de não ter a prerrogativa de aprovar ou barrar o negócio, o Banco Central monitora a situação com atenção diante das incertezas envolvidas.
Em nota, o BRB afirmou que a conclusão da operação ainda depende de condições previstas no Memorando de Entendimentos (MoU) e que a negociação será apresentada à autoridade monetária. “O BRB informa que a conclusão da negociação com a Quadra Capital depende de condições precedentes previstas no Memorando de Entendimentos (MoU) e inclui apresentação ao Banco Central, com quem o BRB mantém interlocução constante sobre a operação”, declarou o banco.
A venda dos ativos do Master ocorre em meio a um cenário de dificuldades financeiras enfrentadas pelo BRB. A instituição busca reforçar seu caixa diante de uma crise de liquidez e também tenta reorganizar seu balanço, desvinculando-se de operações passadas associadas ao banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
O modelo da operação levanta dúvidas no mercado. A Quadra Capital deverá pagar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões à vista, enquanto o restante — entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões — dependerá da revenda dos ativos no mercado. Esse valor, portanto, não é garantido e pode sofrer deságios relevantes, aumentando o risco de perdas adicionais.
Mesmo assim, o BRB sinalizou que pretende registrar em seu balanço a expectativa de recebimento desses valores futuros, o que especialistas consideram uma prática contábil arriscada devido à incerteza sobre a concretização dos montantes.
Além dessa operação, outras alternativas estudadas para capitalizar o banco enfrentam obstáculos. A securitização da dívida ativa do Distrito Federal, por exemplo, esbarra em entraves legais e também não foi apresentada ao Banco Central, que vê dificuldades na viabilidade da proposta.
Outra frente envolve a tentativa do governo do Distrito Federal de obter financiamento junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No entanto, há resistência tanto do fundo quanto de bancos privados, que exigem garantias adicionais para participar da operação.
No âmbito federal, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de distanciamento em relação à crise do BRB, o que afasta a possibilidade de apoio direto do Tesouro Nacional. Como o banco é controlado pelo governo do Distrito Federal, a responsabilidade pela solução recai sobre a administração local, em um contexto de pressão financeira e desafios institucionais crescentes.


