Presidente do BRB afirma que aumento de capital traz alívio
Nelson de Souza diz que pior fase ficou para trás após aprovação de R$ 8,8 bilhões em aumento de capital
247 - O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, afirmou que a aprovação do aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões representa um alívio para a instituição financeira. A declaração foi feita após reunião de acionistas realizada nesta quarta-feira. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.
Segundo Souza, o reforço no capital marca uma virada no momento mais crítico enfrentado pelo banco. “O pior já passou. Os próximos passos vão depender do sócio controlador (o governo do Distrito Federal), que precisará fazer o aporte de capital”, declarou.
O executivo explicou que a próxima etapa será a integralização dos recursos até o dia 29 de maio. Paralelamente, o BRB mantém negociações com um grupo de bancos e com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, considerado estratégico para reforçar o caixa da instituição.
Ainda de acordo com Souza, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, deve buscar apoio junto ao governo federal para garantir o aval do Tesouro Nacional à operação. Apesar disso, ele ressaltou que o banco não depende exclusivamente dessa articulação política. “Uma ajuda do governo federal será muito bem-vinda. Mas não podemos depender disso. Temos condições de caminhar com nossos próprios pés”, afirmou.
Além da captação de recursos, o BRB prepara um conjunto de medidas para fortalecer sua estrutura financeira. Entre as iniciativas estão a criação de um fundo imobiliário com ativos do governo local, a venda de participação na BRB Financeira e a possibilidade de securitização de dívidas do controlador.
Outra frente relevante envolve um acordo com a gestora independente Quadra Capital, anunciado recentemente ao mercado. A operação prevê o repasse integral de carteiras de crédito adquiridas pelo banco Master, totalizando R$ 15 bilhões. Desse montante, R$ 4 bilhões serão pagos à vista, enquanto o restante será alocado em um fundo administrado pela gestora, com liberação gradual conforme o recebimento dos ativos.
No total, as carteiras do banco Master somam R$ 21,9 bilhões. Parte desse volume, equivalente a R$ 1,9 bilhão, foi vendida a investidores externos. O BRB negociou os R$ 20 bilhões restantes por R$ 15 bilhões, considerando ativos problemáticos ligados à Tirreno e o desconto aplicado na operação.
O presidente do BRB também afastou a possibilidade de federalização da instituição ou de liquidação pelo Banco Central, reforçando a confiança na capacidade de recuperação. “Não existe risco de perda de controle do banco”, afirmou, destacando o trabalho conjunto com o governo do Distrito Federal para estruturar uma solução sustentável.

