BRB aprova aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões em assembleia
Medida busca reequilibrar situação patrimonial do banco enquanto governo do DF corre para garantir recursos até maio
247 - A assembleia geral de acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovou nesta quarta-feira o aumento de capital da instituição em até R$ 8,8 bilhões, em uma tentativa de corrigir problemas patrimoniais e evitar o agravamento da situação financeira do banco público. A decisão ocorre em meio à necessidade urgente de recompor o equilíbrio contábil após operações envolvendo o Banco Master.
O reforço de capital foi considerado essencial para resolver o desenquadramento patrimonial da instituição, provocado pela relação com o Banco Master. Com a aprovação, o foco agora se volta ao Governo do Distrito Federal (GDF), que precisa encontrar os recursos necessários para efetivar o aporte até o dia 29 de maio.
A principal estratégia em avaliação envolve a contratação de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em parceria com um sindicato de bancos. Apesar do otimismo de interlocutores ligados ao governo e ao BRB, as negociações ainda não avançaram de forma concreta, especialmente devido a entraves na definição das garantias exigidas para a operação.
Os imóveis apresentados pelo governo local não seriam suficientes para assegurar o empréstimo, o que levou à análise de alternativas. Entre elas, está a utilização da dívida ativa do Distrito Federal como lastro financeiro. Uma das possibilidades é a criação de um fundo estruturado com esses créditos tributários em cobrança, permitindo a venda de cotas no mercado para captação de recursos.
Outra opção considerada é a emissão de debêntures também vinculadas à dívida ativa. Com isso, o governo poderia reduzir a dependência do financiamento via FGC, considerado crucial para manter o banco em funcionamento.
Paralelamente, o BRB anunciou recentemente um acordo com a Quadra Capital para a venda de R$ 15 bilhões em ativos que pertenciam ao Banco Master e atualmente estão na carteira da instituição pública. O acordo prevê um pagamento inicial de aproximadamente R$ 4 bilhões à vista, enquanto o restante será negociado por meio de cotas de um fundo a ser estruturado para gerir esses ativos.
A crise enfrentada pelo BRB teve origem na aquisição de carteiras de crédito do Banco Master, no valor de R$ 12,2 bilhões, posteriormente colocadas sob suspeita de irregularidades. Embora a operação tenha sido desfeita, o banco não recebeu os valores em dinheiro, mas sim em ativos vinculados à instituição de Daniel Vorcaro, o que contribuiu para o atual desequilíbrio patrimonial.


