BRB aponta irregularidades bilionárias em negócios com Banco Master
Auditoria independente identifica falhas graves em operações que ultrapassam R$ 20 bilhões e embasam pedido de indenização na Justiça
247 - O Banco de Brasília (BRB) identificou indícios de irregularidades que superam R$ 20 bilhões em operações realizadas com o Banco Master, segundo auditoria independente conduzida pelo escritório Machado Meyer em parceria com a consultoria Kroll. As informações foram reveladas pelo portal Metrópoles.
Representando o BRB, o escritório Machado Meyer ingressou com pedido de indenização na 13ª Vara Cível de Brasília, alegando prejuízos decorrentes da aquisição de carteiras de crédito consideradas problemáticas, inexistentes ou de baixa qualidade. A ação também busca responsabilizar não apenas a instituição financeira, mas pessoas físicas e fundos ligados às operações.
De acordo com o documento, as irregularidades foram detectadas após revisões internas realizadas pelo banco, que apontaram inconsistências relevantes em uma parcela significativa dos negócios firmados com o Banco Master. “grupos de trabalho internos para a revisão dos processos identificaram falhas graves e indícios relevantes de irregularidades em porção significativa dos mais de R$ 20 bilhões em operações com o Master“.
As operações analisadas ocorreram principalmente entre julho de 2024 e outubro de 2025. Nesse período, o BRB adquiriu carteiras de crédito do Banco Master e do Will Bank que, somadas, atingiram R$ 26,6 bilhões, com foco nos segmentos de crédito consignado e varejo. Apenas em 2024, o volume dessas transações chegou a aproximadamente R$ 6 bilhões.
Ainda conforme o documento, os sinais mais consistentes de irregularidades começaram a se consolidar apenas a partir de 2025, o que teria atrasado a identificação dos problemas. Com base na auditoria, o montante total de operações envolvendo o Banco Master ultrapassa R$ 30 bilhões.
Na ação judicial, o BRB solicita que o ressarcimento dos prejuízos não se limite à instituição financeira, mas também alcance o patrimônio dos envolvidos nas supostas fraudes. O objetivo, segundo o banco, é garantir a recomposição integral das perdas.
Entre os réus citados no processo estão o Banco Master e seus controladores e executivos, incluindo Daniel Vorcaro, João Carlos Mansur, Daniel de Faria Jerônimo Leite e Daniel Monteiro. Também são mencionados diversos fundos de investimento associados às operações, como Bandeirante, Asterope FIP, Victoria FIM, 963 FIM, Siracusa, Borneo, Casamata, Delta e Deneb.
O caso amplia a pressão sobre as operações envolvendo aquisição de carteiras de crédito no sistema financeiro e levanta questionamentos sobre mecanismos de controle, governança e due diligence em negócios bilionários realizados nos últimos anos.


