Bancos exigem juros maiores para garantir empréstimo bilionário ao BRB
Instituições financeiras negociam participação em consórcio que dará garantia a financiamento de R$ 5 bilhões
247 - O processo de estruturação do empréstimo que pode assegurar a estabilidade financeira do Banco de Brasília (BRB) enfrenta novos obstáculos. Instituições financeiras interessadas em integrar o consórcio responsável por garantir a operação defendem uma remuneração mais elevada pelas garantias oferecidas, o que tem provocado divergências nas negociações.
As informações foram divulgadas pelo colunista Julio Wiziack, do UOL Economia. Segundo a reportagem, os bancos que poderão compor o grupo garantidor avaliam as condições financeiras da operação antes de assumir compromissos de longo prazo relacionados ao financiamento.
Até o momento, XP e Banco ABC demonstraram interesse em participar da estrutura que dará suporte ao empréstimo de R$ 5 bilhões previamente acordado com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Paralelamente, o BRB deverá receber até R$ 6,6 bilhões em novos aportes de seu controlador, o Governo do Distrito Federal.
Juros estão no centro das negociações
O principal ponto de divergência envolve a taxa de juros que incidirá sobre as garantias fornecidas pelos bancos participantes do consórcio. De acordo com pessoas envolvidas nas tratativas, as instituições financeiras defendem uma remuneração mínima de 4% ao ano.
Já o BRB propõe uma taxa inferior, situada entre 2% e 3% ao ano. A expectativa é que as negociações sejam retomadas na próxima semana, na tentativa de aproximar as posições e viabilizar a adesão de mais participantes ao grupo.
A definição desse percentual é considerada estratégica porque as garantias ficarão vinculadas por um período de 15 anos, prazo previsto para a quitação integral do financiamento junto ao FGC.
Projeto de lei busca dar segurança jurídica
Além da discussão sobre a remuneração das garantias, outro tema vinha gerando preocupação entre os potenciais participantes do consórcio: a segurança jurídica dos recursos que servirão de lastro à operação.
Segundo a reportagem, esse impasse foi encaminhado com o envio de um projeto de lei à Câmara Legislativa do Distrito Federal. A proposta pretende assegurar que não existam obstáculos legais para o uso dos recursos pelos bancos caso o BRB deixe de honrar alguma parcela do empréstimo.
As garantias estarão atreladas a receitas provenientes do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), recursos aos quais o Distrito Federal tem direito.
Governo do DF busca ampliar adesão ao consórcio
A expectativa da governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), é ampliar significativamente o número de participantes do consórcio garantidor.
De acordo com pessoas que acompanham as negociações, a intenção é contar com a participação de instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Santander e BTG na estrutura que dará suporte à operação.
Ainda segundo fontes ouvidas pela reportagem, Celina Leão também se comprometeu a apresentar aos potenciais interessados um novo plano de negócios para o BRB. A estratégia prevê uma mudança de rumo na atuação da instituição.
Novo plano prevê foco no Distrito Federal
O redesenho do plano de negócios deverá marcar o abandono da estratégia de expansão para outros estados brasileiros, concentrando as operações do banco no Distrito Federal.
A mudança busca reforçar a sustentabilidade do BRB e oferecer maior previsibilidade aos agentes financeiros que avaliam participar do consórcio garantidor do empréstimo.
Procuradas pela reportagem original, a XP informou que não comentaria o assunto. Já o Banco ABC e o BRB não responderam aos questionamentos até a publicação da matéria.



