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Brasil bate recorde e chega a 9 milhões de empresas inadimplentes

Levantamento da Serasa mostra alta de 1,5 milhão de empresas negativadas em apenas um ano

Dívidas-contas (Foto: IA / Brasil 247)
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247 - O Brasil alcançou um marco preocupante para o setor produtivo. O número de empresas inadimplentes chegou a 9 milhões em abril, o maior patamar já registrado pela série histórica da Serasa Experian devido ao agravamento das dificuldades financeiras enfrentadas pelas companhias em meio a juros elevados e crédito ainda restrito.

Segundo o jornal O Globo, o levantamento aponta que o total de empresas com pendências financeiras cresceu em 1,5 milhão nos últimos 12 meses. Em abril de 2025, eram 7,5 milhões de CNPJs negativados. Agora, o número atingiu um recorde histórico.

Dívidas ultrapassam R$ 220 bilhões

Além do aumento no número de empresas inadimplentes, o montante das dívidas também alcançou um nível sem precedentes. Ao todo, foram contabilizados 63,7 milhões de débitos em atraso, somando R$ 220,9 bilhões. Na média, cada empresa possuía 7,1 contas negativadas. O valor médio das dívidas por CNPJ ficou em R$ 24.665,91, enquanto cada débito teve tíquete médio de R$ 3.468,99.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirmou que os indicadores apontam para a manutenção da pressão sobre o setor empresarial. "O dado de inadimplência vem sinalizando uma tendência de manutenção em um patamar bastante elevado e com potencial de quebrar novos recordes ao longo de 2026. O ambiente de juros ainda muito altos, aliado à desaceleração da atividade econômica, pressiona o faturamento das empresas e reduz a capacidade de recomposição de caixa."

Segundo a especialista, mesmo com o início da trajetória de queda dos juros, os custos de financiamento permanecem elevados. "Existe hoje um quadro bastante apertado para as companhias. Mesmo com o início do ciclo de cortes da taxa de juros, o nível ainda segue elevado e insuficiente para promover uma reversão mais consistente das condições de crédito."

Setor de serviços concentra maior número de inadimplentes

O segmento de serviços lidera o ranking de empresas inadimplentes, concentrando 55,6% dos CNPJs negativados. O comércio aparece na segunda posição, com 32,4%, seguido pela indústria, com 8,1%, e pelo setor primário, com 0,9%.

A composição das dívidas mostra que 31,7% dos débitos têm origem no próprio setor de serviços. Em seguida aparecem bancos e cartões de crédito, com 19,4%; cooperativas, com 8,6%; empresas de serviços essenciais, com 7%; e telefonia, com 5,7%.

Para Camila Abdelmalack, o perfil dos débitos revela a dificuldade das empresas em manter capital de giro e financiar suas operações. "Em um ambiente de crédito restritivo e juros elevados, as companhias acabam recorrendo mais ao crédito comercial e a diferentes instrumentos de financiamento, mas enfrentam maior dificuldade para administrar esse passivo diante do acúmulo de pendências."

Sudeste concentra maior volume de empresas negativadas

A região Sudeste concentra o maior número de empresas inadimplentes do país. São Paulo lidera com 3.076.064 CNPJs negativados. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 881.652 empresas inadimplentes, e Rio de Janeiro, com 864.722.

Também figuram entre os estados com maior volume de inadimplência o Paraná, com 588.935 registros, e o Rio Grande do Sul, com 518.195. Segundo a Serasa Experian, a concentração acompanha o peso econômico dessas regiões e a elevada densidade empresarial existente nesses estados.

Micro e pequenas empresas são as mais afetadas

As micro e pequenas empresas continuam sendo as mais vulneráveis ao cenário de crédito caro. Em abril, esse grupo somava 8,5 milhões de CNPJs inadimplentes, praticamente a totalidade das empresas negativadas no país.

Juntas, elas acumulavam 57,6 milhões de dívidas em atraso, equivalentes a R$ 191,8 bilhões. Em média, cada empresa possuía 6,8 contas negativadas. A dívida média alcançava R$ 22.503,39.

"As micro e pequenas empresas continuam sendo as mais vulneráveis a um ambiente de crédito restritivo, porque dependem mais de linhas de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação", afirmou Camila Abdelmalack.

De acordo com a economista, a combinação entre juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito tem dificultado a recomposição do capital de giro e a administração do fluxo de caixa, contribuindo para a permanência da inadimplência em níveis recordes.

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