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Brasil busca oportunidades para carne de frango na Índia, diz Fávaro

Comitiva negocia abertura comercial e propõe cotas para destravar exportações brasileiras ao país mais populoso do mundo

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - Uma comitiva brasileira em visita à Índia discutiu nesta sexta-feira (20) medidas para ampliar o acesso da carne de frango do Brasil ao mercado indiano, considerado estratégico pelo setor. O objetivo central das negociações é reduzir tarifas de importação atualmente vistas como impeditivas para a competitividade do produto brasileiro no país asiático.

Apesar de o Brasil ser o maior exportador mundial de carne de frango, as vendas para a Índia seguem praticamente inexistentes devido às elevadas taxas cobradas pelo governo indiano.

Segundo números do governo brasileiro e da ABPA, em 2025 o Brasil exportou apenas 2,47 toneladas de carne de frango para a Índia, um volume insignificante se comparado aos principais destinos da proteína nacional. No mesmo período, os Emirados Árabes Unidos, maior comprador, importaram 479,9 mil toneladas do produto brasileiro.

O setor avalia que o potencial de consumo na Índia é elevado, mas enfrenta um entrave tarifário considerado decisivo. Atualmente, o país asiático aplica alíquota de 100% para cortes de frango e 30% para o frango inteiro, o que inviabiliza o avanço comercial mesmo com acordo sanitário já firmado entre as duas nações.

Em comunicado divulgado pelo governo, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a missão busca ampliar o intercâmbio agropecuário entre os países e propôs uma troca de concessões comerciais.

“Tratamos da ampliação das relações comerciais. O Brasil está pronto para abrir a romã para importar da Índia e também para receber a noz macadâmia… Como contrapartida, buscamos a abertura do feijão-guandu, além de ampliar oportunidades para a carne de frango brasileira e a erva-mate”, declarou Fávaro.

A ABPA, por sua vez, informou que a redução de tarifas é considerada uma prioridade para destravar o fluxo de exportações. A entidade apresentou uma proposta para criar uma cota específica de importação com tarifa reduzida ou mesmo zerada.

A ABPA defendeu a criação de uma cota com tarifa “reduzida ou zerada, como mecanismo inicial de destravamento do fluxo comercial”.

Suínos também enfrentam barreira tarifária

Além do frango, a ABPA destacou que a carne suína brasileira também encontra obstáculos semelhantes. Embora o mercado esteja aberto do ponto de vista sanitário, a tarifa de importação aplicada pela Índia é de 26%, o que também limita a viabilidade econômica das exportações.

A associação defende, para o caso da carne suína, a adoção de cotas diferenciadas ou a revisão das taxas atuais, como forma de permitir a expansão do comércio bilateral.

Reunião com ministro indiano integra agenda de Lula em Nova Délhi

O encontro de Carlos Fávaro com o ministro da Agricultura da Índia, Shri Singh Chouhan, ocorreu dentro da agenda oficial da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Nova Délhi. Segundo o Ministério da Agricultura, a reunião abriu espaço para “avanços concretos” no comércio bilateral de produtos agropecuários.

Além das negociações tarifárias, o governo brasileiro informou que também foram discutidos temas como bioinsumos, mecanização agrícola, inteligência artificial aplicada ao campo e possibilidades de complementaridade produtiva entre os dois países.

Comércio Brasil–Índia cresce e meta é alcançar US$ 20 bilhões até 2030

A movimentação ocorre em um contexto de intensificação das relações econômicas entre Brasil e Índia. De acordo com a nota do Ministério da Agricultura, o comércio total entre os dois países atingiu US$ 15 bilhões em 2025, com crescimento de 25,5% em relação ao ano anterior.

A meta estabelecida pelos dois governos é elevar esse volume para US$ 20 bilhões até 2030, consolidando a Índia como um parceiro cada vez mais relevante para o agronegócio brasileiro.

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