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Brasil reduz estoque da dívida, mas juros seguem pressionando contas

Colchão de liquidez foi reduzido no mês de março

Moedas (Foto: REUTERS/Bruno Domingos)

247 - A Secretaria do Tesouro Nacional informou nesta segunda-feira (27) que a Dívida Pública Federal registrou queda em março de 2026, após o governo pagar um volume maior de compromissos do que o montante captado no mercado. Segundo o relatório mensal, foram emitidos R$ 93,3 bilhões em títulos públicos, enquanto os resgates somaram R$ 398,68 bilhões, resultando em um resgate líquido de R$ 305,39 bilhões.

Com esse movimento de redução do estoque total, a Dívida Pública Federal recuou 2,34% em relação a fevereiro, passando de R$ 8,84 trilhões para R$ 8,63 trilhões.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, disse, em coletiva de imprensa no Ministério da Fazenda, que o cenário internacional aumentou a percepção de risco, mas que o Brasil tem "uma posição relativamente boa", tendo em vista que o país é um exportador de petróleo e a política monetária é restritiva. Isso levou o Tesouro a reduzir a emissão e aumentou a emissão de flutuantes. "Os investidores tendem a demandar esse título em momento de maior incerteza", disse. 

O relatório mostra que a dinâmica da dívida segue pressionada pelo custo elevado dos juros. No mesmo período, houve a incorporação de R$ 98,08 bilhões em encargos, o que atenua o impacto da queda observada no mês. 

O custo médio da dívida acumulado em 12 meses também avançou, passando de 11,9% ao ano em fevereiro para 12,2% ao ano em março. 

"Esse movimento acaba acompanhando a trajetória da Selic ao longo do período de apuração", disse, destacando que há reservas suficientes para cumprir as obrigações. 

O Tesouro também destacou que o país mantém uma reserva de liquidez suficiente para honrar compromissos imediatos, apesar da redução. Em março, esse colchão financeiro somava R$ 885,42 bilhões, o equivalente a cerca de 5,69 meses de vencimentos da dívida.

"A reserva de liquidez apresentou redução, em termos nominais, de 25,73%, passando de R$ 1.192,12 bilhões, em fevereiro, para R$ 885,42 bilhões, em março", diz o relatório. 

"Estamos bem confortáveis em relação ao colchão de liquidez", afirmou, apontando para uma sequência de vencimentos com uma "magnitude relevante". 

O retorno das tratativas para solucionar a guerra no Oriente Médio foi positivo, no sentido de reduzir a aversão dos investidores, disse Dias. 

"O vetor externo foi o principal condicionante negativo no mês de março e agora a gente vê uma certa reversão", afirmou. 

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