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PIB do Brasil deve subir quase 2% em 2026, projeta CNI

A expansão projetada tende a ser sustentada principalmente pelo setor de serviços

Ricardo Alban: Questão fiscal traz preocupação, mas não há motivos para alarde (Foto: Divulgação/CNI)

247 - A economia brasileira deve registrar crescimento de 1,8% em 2026, em um cenário marcado por desaceleração em relação aos anos anteriores e forte impacto da política monetária restritiva. A expansão projetada tende a ser sustentada principalmente pelo setor de serviços, enquanto a indústria perde fôlego e a agropecuária permanece estável, refletindo um ambiente econômico mais desafiador.

As estimativas constam do relatório Economia Brasileira 2025-2026, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (10). Segundo a entidade, os juros elevados e o enfraquecimento gradual do mercado de trabalho devem limitar o ritmo da atividade econômica, resultando, caso as projeções se confirmem, no menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em seis anos.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, fez uma avaliação crítica do cenário previsto. “Caso as projeções se confirmem, este seria o menor crescimento do PIB em seis anos. Não há como fugir da realidade: com juros nesse patamar, a economia vai desacelerar ainda mais, prejudicando todos os setores produtivos, em especial a indústria”, afirmou.

Para ele, os efeitos negativos se estendem diretamente à população. “O impacto recai sobre a população, pois isso se reflete em menos emprego e renda. É necessário que o Banco Central não apenas inicie o ciclo de cortes na taxa Selic o quanto antes, mas que, ao final de 2026, tenhamos juros reais menores do que as projeções indicam no momento”.

De acordo com a CNI, a taxa básica de juros deve encerrar 2026 em 12%, enquanto a inflação é projetada em 4,1%. Nesse contexto, os juros reais devem ficar em torno de 7,9%, patamar considerado elevado e ainda capaz de inibir investimentos e o crescimento econômico de forma mais consistente.

A indústria deve ser um dos setores mais afetados. O crescimento projetado é de 1,1% em 2026, abaixo do registrado em 2025. A indústria de transformação, pressionada pela queda da demanda interna e pelo aumento das importações, deve avançar apenas 0,5%, o pior desempenho entre os segmentos industriais. Já a indústria extrativa tende a crescer 1,6%, impulsionada pelo alto nível de extração de petróleo e minério de ferro.

A construção civil aparece como um ponto relativamente positivo no cenário industrial. Mesmo impactado pelos juros elevados, o setor deve crescer 2,5% em 2026, beneficiado pelo novo modelo de crédito imobiliário, pelo aumento do valor máximo dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e pela ampliação do financiamento para reformas de moradias de famílias de baixa renda.

No mercado de trabalho, a tendência é de desaceleração ao longo de 2026, seguindo o movimento observado nos últimos meses de 2025. A CNI projeta que a taxa de desemprego termine o próximo ano em 5,6%, enquanto a massa de rendimento real dos trabalhadores deve crescer 3,4%, indicando menor dinamismo na geração de renda.

Apesar desse cenário, o setor de serviços deve apresentar o melhor desempenho entre as atividades econômicas, com crescimento estimado em 1,9%. Entre os fatores que sustentam esse resultado estão os investimentos em transformação digital, que já tiveram impacto positivo em 2025, e o aumento das despesas federais.

A entidade projeta que os gastos públicos cresçam 4,6% acima da inflação em 2026. Medidas tributárias também devem contribuir para estimular o consumo. Segundo o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, “a isenção do Imposto de Renda para pessoas que ganham até R$ 5 mil e a desoneração do IR para aqueles que recebem entre R$ 5 mil e R$ 7,5 mil vão aumentar a renda disponível para parte da população, estimulando o consumo e a atividade econômica”.

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