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Coaf destaca avanço do setor de apostas contra lavagem de dinheiro

Ricardo Saadi destaca avanços da regulamentação e prevenção à lavagem de dinheiro

COAF destaca avanços na prevenção à lavagem de dinheiro no mercado de apostas (Foto: Divulgação)
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247 - O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi, avaliou de forma positiva os avanços da regulamentação do mercado de apostas no Brasil e ressaltou o compromisso das empresas autorizadas com práticas de integridade, transparência e prevenção à lavagem de dinheiro. As declarações foram feitas durante o BiS SiGMA Brasília 2026, nesta terça-feira (2),

O evento reuniu representantes do setor, autoridades e especialistas para discutir os desafios e perspectivas do mercado regulado de apostas no país. Saadi participou do painel "Follow The Money – Integridade, Governança e Prevenção à Lavagem de Dinheiro", ao lado da diretora jurídica da Associação Brasileira de Jogos (ABRAJOGO), Ana Helena Pamplona, e de Matheus Vidal, Head of Legal da Paag.

Coaf elogia conformidade das empresas reguladas

Durante o debate, o presidente do Coaf afirmou que as empresas que atuam dentro das regras estabelecidas pela legislação brasileira vêm demonstrando comprometimento com a conformidade regulatória e com o combate a práticas ilícitas.

"A gente sabe que o trabalho do BiS tem sido um trabalho sério, que busca trazer integridade ao setor, e por isso fiz questão de estar presente, representando o órgão em que atuo. Majoritariamente, o setor regulado de apostas segue boas práticas e está em conformidade com as leis brasileiras. Além disso, o mercado tem buscado constantemente mecanismos para prevenir a lavagem de dinheiro", afirmou.

Segundo Saadi, o fato de a própria indústria promover discussões sobre prevenção à lavagem de dinheiro demonstra o amadurecimento do segmento e o interesse das empresas em aperfeiçoar mecanismos de controle e governança.

Sistema de avaliação poderá criar ranking de qualidade

Um dos principais anúncios feitos durante o painel foi o desenvolvimento de um sistema de feedback para os setores obrigados a comunicar operações suspeitas ao Coaf. A iniciativa pretende oferecer retorno sobre a qualidade das informações encaminhadas pelas empresas e aprimorar a eficiência do sistema de monitoramento.

De acordo com Saadi, ainda existe grande diferença entre os níveis de maturidade dos diversos segmentos econômicos na elaboração dessas comunicações. "Há setores que estão mais maduros e há setores que estão menos maduros. O setor bancário comunica há mais de 20 anos e já estabeleceu padrões sobre o que deve ser comunicado, o que não deve ser comunicado e como deve ser comunicado", explicou.

O presidente do Coaf defendeu a construção de critérios comuns para o envio das informações. "Pega os principais players responsáveis pela maior parte do mercado e vamos padronizar o que deve e o que não deve ser comunicado, como vai ser comunicado e como não vai ser comunicado", sugeriu.

Qualidade das informações é prioridade

Saadi destacou que a eficiência do sistema não deve ser medida apenas pela quantidade de comunicações realizadas. "Às vezes uma comunicação bem feita vale mais que dezenas de comunicações mal feitas", afirmou.

Segundo ele, o mais importante é fornecer contexto e inteligência para auxiliar as autoridades na análise das operações suspeitas. "Não basta simplesmente comunicar a transação. É importante explicar por que aquela operação foi considerada suspeita e qual o contexto envolvido."

O dirigente observou que atualmente as empresas enviam informações ao Coaf sem receber retorno sistemático sobre a qualidade dos dados reportados. "O setor não sabe se a comunicação foi útil, se foi bem feita ou não foi bem feita", explicou.

Ele afirmou que o novo modelo prevê um fluxo estruturado de avaliação envolvendo o Coaf, a Polícia, o Ministério Público e os próprios comunicantes. "Nesse novo sistema que estamos desenvolvendo isso já está previsto. O feedback da Polícia e do Ministério Público para o Coaf e do Coaf para cada um dos comunicantes", disse.

Segundo Saadi, a ferramenta poderá gerar indicadores comparativos entre empresas de um mesmo segmento. "Vai ter a empresa A que hoje tem nota 3 sobre 10 nas comunicações ao Coaf. A empresa B já tem nota 9 sobre 10, exatamente para que todos possam tentar alinhar em relação às melhores práticas", afirmou.

Mercado é incentivado a agir antes de novas exigências

Durante o painel, a diretora jurídica da ABRAJOGO, Ana Helena Pamplona, defendeu que as próprias entidades representativas do setor liderem iniciativas de padronização das comunicações antes mesmo de eventuais exigências regulatórias.

"Fica um recado aqui para o setor. O Coaf está trabalhando para unificar, mas nós como setor também podemos nos organizar", afirmou. Ela destacou que associações do mercado podem atuar conjuntamente na construção de parâmetros comuns para aumentar a efetividade das informações enviadas às autoridades. "É aquela ideia do fazer antes de ser cobrado", disse.

Pamplona também sugeriu a participação de entidades como ABRAJOGO, ANJL, IBJR e outras organizações da indústria na elaboração de critérios compartilhados para fortalecer os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e ampliar a qualidade das comunicações realizadas pelo setor.

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