Lula afirma que pretende proibir bets "que não estão prestando nenhum serviço de utilidade"
Em entrevista ao Sem Censura, presidente afirma que apostas viraram “vício” e associa endividamento à falta de educação financeira
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que, se dependesse apenas de sua vontade, acabaria com as casas de apostas que, segundo ele, “não estão prestando nenhum serviço de utilidade” ao país. A declaração foi dada em edição especial do programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães, que será exibida ao vivo pela TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), nesta sexta-feira (22).
Ao tratar da regulamentação das bets, Lula disse que o governo já restringiu grande parte das operações que estavam abertas no país, mas ressaltou que uma proibição total não depende exclusivamente do Executivo, por envolver também o Congresso Nacional e o Poder Judiciário.
“Primeiro, nós proibimos quase 90% de tudo que era aberto e legal nesse país. Eu proibiria todas. Por que não proibiu agora? Porque não depende de mim, eu não sou dono do Brasil. Da mesma forma que eu falo que o Trump não é dono do mundo, eu não sou dono do Brasil. Eu sou presidente da República”, afirmou.
Lula defende restrição às apostas e cita Congresso
O presidente argumentou que o governo precisa negociar com o Congresso para aprovar mudanças na legislação. Ele lembrou que o PT tem uma bancada limitada em relação ao total de parlamentares, o que, segundo ele, exige diálogo constante para avançar em temas polêmicos.
“Para fazer uma lei, eu tenho que mandar para o Congresso Nacional. Eu só tenho 70 deputados em 513. Eu só tenho 9 senadores em 81. Então, você percebe, minha querida Nath, que a capacidade de conversar, de dialogar, de fazer as coisas é mais imensa”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de veto em 2023, Lula afirmou que o Congresso poderia derrubar a decisão presidencial. “Eles derrubam o veto. Eles derrubam o veto”, declarou.
O presidente fez distinção entre modalidades de apostas e criticou especialmente jogos de forte apelo popular, como os chamados “tigrinhos”. “Você pode deixar uma ou outra funcionando. Agora, o que você não pode deixar é os tigrinhos da vida funcionarem”, afirmou.
Publicidade das bets entra no centro do debate
Lula também defendeu maior controle sobre a publicidade de casas de apostas em canais de televisão e outras plataformas. Ao ser questionado sobre a ausência de regras semelhantes às restrições aplicadas à propaganda infantil, de cigarro e de álcool, o presidente afirmou que pretende avançar nesse ponto.
“Pretendo. Todo mundo tem que ser tratado em igualdade de condições. Todo mundo tem que ser tratado em igualdade de condições”, disse.
Ele afirmou ainda que o governo criou uma secretaria específica no Ministério da Fazenda para tratar do tema. Segundo Lula, não haverá criação de novas casas de apostas até o fim do ano, enquanto o governo avalia os próximos passos.
“Se depender da vontade do presidente da República, e vou dizer isso durante a campanha, eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a esse país”, declarou.
Lula associa apostas a vício e endividamento
Ao longo da entrevista, Lula afirmou que as apostas se tornaram um problema social, especialmente pelo impacto sobre pessoas de baixa renda e jovens. Para o presidente, jogar pode se transformar em dependência. “Porque jogar é uma doença. É um vício, né?”, afirmou.
Ele também disse que o desejo de enriquecer rapidamente ajuda a explicar a expansão das apostas. “A professora tem uma explicação, mas é que todo mundo quer ganhar dinheiro fácil. Todo mundo sonha em ganhar dinheiro fácil. É um processo quase que educacional junto com as proibições. Não é uma coisa fácil de você fazer”, disse.
Lula comparou a atual presença dos jogos nos celulares à tradição histórica de restrição aos jogos de azar no Brasil. Segundo ele, o problema mudou de escala com a tecnologia. “O dado concreto é que o Cassino agora foi para dentro da sala, para o telefone da vovó que empresta para o neto, para o telefone do papai que empresta para o filho. E muitas vezes o filho joga escondido e as pessoas não sabem”, afirmou.



