Comércio cresce 0,5% em março e bate recorde histórico, diz IBGE
Dados do IBGE mostram terceira alta seguida do setor, impulsionada por combustíveis, informática e artigos pessoais
247 - O comércio varejista brasileiro registrou crescimento de 0,5% em março de 2026, na comparação com fevereiro, e alcançou um novo recorde histórico na série iniciada em 2000. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).
Segundo o IBGE, o resultado confirma uma trajetória de expansão do setor, que acumula três meses consecutivos de avanço. O recorde anterior havia sido atingido em fevereiro deste ano. De acordo com o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, o varejo vem apresentando estabilidade e crescimento desde o fim de 2025.
“Numa perspectiva um pouco maior, a médio prazo, nos seis últimos meses houve apenas um resultado no campo negativo, em dezembro de 2025. E mesmo assim, o resultado foi muito próximo de zero (-0,3%). Então, pode-se dizer que desde outubro de 2025 o varejo vem crescendo na maior parte do tempo”, afirmou.
Cinco das oito atividades analisadas pela pesquisa tiveram desempenho positivo em março. O principal avanço foi registrado no segmento de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que cresceu 5,7%. Em seguida aparecem combustíveis e lubrificantes (2,9%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%), livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%).
Cristiano Santos destacou que o setor de informática foi favorecido pela valorização do real frente ao dólar nos últimos meses, já que muitos produtos comercializados são importados.
“Os custos dessa atividade estão muito relacionados à variação do dólar e nos últimos três meses a gente vem observando a valorização do real frente a moeda americana”, explicou.
Por outro lado, duas atividades apresentaram retração em março. O segmento de móveis e eletrodomésticos caiu 0,9%, influenciado principalmente pelo desempenho negativo das vendas de móveis. Já o setor de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo recuou 1,4%, registrando a maior queda desde junho de 2024, quando havia marcado retração de 3,0%.
O segmento de tecidos, vestuário e calçados permaneceu estável no período, sem variação em relação a fevereiro.
Na comparação com março de 2025, o comércio varejista avançou 4,0%, com crescimento em todas as oito atividades pesquisadas pelo IBGE. O destaque ficou novamente com equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que disparou 22,5%. Trata-se da segunda maior alta do segmento desde o segundo semestre de 2021, atrás apenas de dezembro de 2025, quando o crescimento foi de 31,1%.
Também apresentaram desempenho expressivo outros artigos de uso pessoal e doméstico (11,1%), livros, jornais, revistas e papelaria (10,2%), combustíveis e lubrificantes (7,6%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (7,1%).
Segundo o IBGE, os segmentos de outros artigos de uso pessoal e doméstico — que engloba lojas de departamento, óticas, joalherias, artigos esportivos e brinquedos — e combustíveis e lubrificantes foram os que mais contribuíram para o resultado geral do varejo, com impacto de 0,9 ponto percentual cada no índice total de 4,0%.
Regionalmente, o comércio varejista avançou em 19 das 27 unidades da Federação na comparação mensal. Os maiores crescimentos foram registrados no Maranhão (3,8%), Amazonas (3,7%) e Piauí (3,5%). Em sentido contrário, Bahia (-2,2%), Pernambuco (-2,0%) e São Paulo (-1,0%) lideraram as quedas. A Paraíba ficou estável.
No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, peças e material de construção, 17 estados apresentaram crescimento. Amazonas (8,4%), Roraima (5,6%) e Paraná (4,0%) tiveram os melhores desempenhos, enquanto Pernambuco (-2,1%), Mato Grosso do Sul (-1,2%) e Bahia (-1,0%) registraram os principais recuos.



