Confiança empresarial sobe e atinge maior nível desde fevereiro de 2025, aponta FGV
Programas habitacionais, isenção do IR e aumento do salário mínimo contribuíram para melhora das expectativas em 2026
247 - O Índice de Confiança Empresarial (ICE) registrou alta de 0,5 ponto em janeiro e chegou a 92,5 pontos, alcançando o maior nível desde fevereiro de 2025. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (2) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o indicador interrompe uma sequência de oscilações e sinaliza melhora do sentimento do empresariado no início de 2026. As informações são do jornal Valor Econômico.
Segundo a FGV, o avanço foi sustentado principalmente por expectativas mais positivas em relação ao ambiente econômico nos próximos meses. De acordo com o pesquisador da fundação Aloisio Campelo Junior, fatores como inflação sob controle e a perspectiva de redução da taxa básica de juros têm contribuído para um cenário mais favorável ao consumo interno, estimulando a demanda ao longo do ano.
Construção civil impulsionada pelo Minha Casa, Minha Vida
Campelo Junior destacou que a construção civil tem demonstrado resiliência, impulsionada pelo aquecimento de programas habitacionais do governo, como o Minha Casa, Minha Vida, além de obras de infraestrutura e empreendimentos residenciais. Segundo ele, esses fatores ajudam a manter o nível de atividade e influenciam positivamente a percepção do empresariado.
Para o especialista, a avaliação de que a inflação deve permanecer sob controle em 2026, aliada à possibilidade de cortes na taxa Selic, já começa a gerar alívio e melhorar o horizonte de médio prazo para os negócios.
Isenção de IR e aumento do salário mínimo favorecem comércio
O pesquisador também apontou que medidas de política econômica adotadas no início do ano, como a isenção do imposto de renda para famílias com rendimentos mensais abaixo de R$ 5 mil e o aumento do salário mínimo no primeiro trimestre, tendem a favorecer principalmente o comércio.
Segundo ele, essas ações ampliam a renda disponível e estimulam a demanda interna. Na avaliação de Campelo Junior, esse conjunto de fatores contribui para um ambiente mais favorável ao consumo e à atividade econômica ao longo de 2026.
Índice de Expectativas sobe 1,7 ponto no mês
A melhora do ICE em janeiro foi puxada sobretudo pelo Índice de Expectativas (IE), que subiu 1,7 ponto no mês, para 92,3 pontos. Já o Índice de Situação Atual (ISA) recuou 0,6 ponto no mesmo período, para 92,8 pontos, indicando que a percepção sobre o momento presente segue mais cautelosa.
Segundo o pesquisador, houve avanço das expectativas entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, refletindo uma melhora gradual da avaliação do empresariado em relação aos próximos meses.
Indústria lidera alta setorial com avanço de 3,5 pontos
Na análise setorial, o ICE subiu 3,5 pontos na indústria em janeiro na comparação com dezembro. O comércio registrou avanço de 3 pontos, enquanto a construção apresentou alta de 2,8 pontos. O setor de serviços teve variação mais moderada, com aumento de apenas 0,6 ponto, refletindo uma calibragem mais contida das expectativas.
Campelo Junior afirmou que os empresários avaliam a possibilidade de um "ganho gradual de nível de atividade" em 2026, o que tende a impactar positivamente a lucratividade e o desempenho geral dos negócios.
Projeção de crescimento entre 1,8% e 2% para 2026
Segundo Campelo Junior, o empresariado projeta crescimento econômico entre 1,8% e 2% em 2026, em linha com estimativas de mercado. Em 2025, o crescimento deve ficar entre 2% e 2,5%, conforme as projeções citadas por ele.
O pesquisador reconheceu que, no ano passado, a confiança empresarial foi afetada por choques externos, como o aumento de tarifas promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em meados de 2025, o governo dos Estados Unidos elevou em dois dígitos as tarifas sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil, direcionados ao mercado estadunidense. Ainda assim, segundo Campelo Junior, o foco atual do empresariado brasileiro está mais concentrado na demanda interna, o que tem contribuído para a melhora do índice.


