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Crédito habitacional: fechamento de agências da Caixa pode comprometer atendimento à população

Entre 2021 e 2025, foram fechadas 252 agências da Caixa em todo o país

Imóveis Caixa (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
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247 - A redução no número de agências da Caixa em todo o país acende um alerta sobre o acesso da população à habitação e às políticas públicas. É o que aponta a edição 2026 do Caderno dos Estados, publicação lançada pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), com base em levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Os dados da publicação mostram que, enquanto a Caixa amplia sua atuação no crédito, no financiamento imobiliário e na execução de programas sociais, sua rede física de atendimento vem sendo reduzida em diferentes regiões do país — um movimento que preocupa entidades representativas dos empregados.

“A Caixa é o principal operador da política habitacional no Brasil. Por isso, a Fenae vê com grande preocupação o fechamento de agências do banco que realiza dois de cada três financiamentos de imóveis no país. Reduzir a presença física da Caixa significa dificultar o acesso da população ao crédito habitacional e às políticas públicas”, destaca o presidente da Fenae, Sergio Takemoto.

Atualmente, a Caixa responde por cerca de 70% do financiamento imobiliário no Brasil, com crescimento de 59% no valor total financiado entre 2021 e 2025. Em diversas regiões, especialmente onde bancos privados têm baixa presença, o protagonismo é ainda maior: em 20 estados, o financiamento imobiliário depende exclusivamente de bancos públicos, e a Caixa chega a responder por até 92% do crédito habitacional. Mesmo onde há concorrência privada, o banco mantém, em média, 80% das operações.

O Caderno dos Estados também evidencia a importância da Caixa na execução de políticas públicas e programas sociais. Entre 2021 e 2025, as transferências cresceram 90% em volume e mais que triplicaram em valor, consolidando o banco como principal agente de distribuição de recursos governamentais. No mesmo período, o Bolsa Família teve aumento de 11% no valor repassado, enquanto o Minha Casa, Minha Vida registrou crescimento de 9% nas unidades financiadas e de 63% no valor total contratado.

Fechamento de unidades

As entidades chamam atenção para a redução da rede física de atendimento. Entre 2021 e 2025, foram fechadas 252 agências da Caixa em todo o país. Considerando um período mais amplo, entre 2015 e 2025, o total chega a 284 unidades encerradas.

Mesmo com a redução, em 2025 a Caixa ainda mantinha presença em cerca de 1.602 municípios, o que evidencia seu amplo alcance territorial. No entanto, o ritmo recente de fechamentos preocupa. Apenas entre 2024 e 2025, foram encerradas 138 agências, além da redução de outros canais de atendimento, como 195 postos de atendimento, 807 correspondentes Caixa Aqui e 134 unidades lotéricas.

A retração ocorre em um contexto mais amplo de diminuição da presença bancária no território nacional. No Brasil, existem pouco mais de 14 mil agências bancárias em funcionamento, mas, entre 2015 e 2025, foram fechadas 8.533 unidades, sendo 1.823 de bancos públicos e 6.710 de bancos privados. Nesse mesmo período, 638 municípios ficaram sem nenhuma agência bancária, e 71 municípios perderam ao menos uma unidade da Caixa, sendo que 12 perderam a única agência existente.

“Para a Fenae e a Contraf-CUT, os dados revelam um paradoxo. Ao mesmo tempo em que a Caixa amplia sua atuação no crédito, na habitação e na execução de políticas públicas, reduz sua presença física justamente nas regiões onde sua atuação é mais necessária. Em muitas localidades, a Caixa é a principal ou única instituição financeira disponível, desempenhando papel essencial na inclusão bancária e na redução das desigualdades regionais”, alerta Takemoto.

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