HOME > Economia

Dólar fica abaixo de R$ 5,20 e resiste à pressão do mercado externo

No Brasil, destaque no dia para os dados da inflação oficial

Um funcionário segura notas de dólar americano em uma casa de câmbio em Jacarta, Indonésia, em 9 de abril de 2025 (Foto: Willy Kurniawan/Reuters)

Reuters - Após oscilar em alta durante boa parte da sessão, o dólar encerrou a terça-feira perto da estabilidade, abaixo dos R$5,20, enquanto no exterior a divisa norte-americana sustentou ganhos ante pares da moeda brasileira, como o rand sul-africano e o peso chileno.

No Brasil, destaque no dia para os dados da inflação oficial de janeiro, divulgados pela manhã, e para as críticas do mercado à situação fiscal brasileira, durante a tarde, em evento do BTG Pactual em São Paulo.

O dólar à vista fechou o dia com leve alta de 0,17%, aos R$5,1976. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,31%.

Às 17h18, o dólar futuro para março -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,03% na B3, aos R$5,2155.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,33% em janeiro -- uma taxa igual à de dezembro e quase em linha com a expectativa dos economistas ouvidos pela Reuters, que projetavam 0,32% no mês passado. No acumulado de 12 meses até janeiro, a inflação atingiu 4,44%, também quase em linha com os 4,43% projetados, mas acima dos 4,26% de dezembro.

A abertura dos dados mostrou forte desaceleração dos serviços como um todo, com a taxa passando de 0,72% em dezembro para 0,10% em janeiro, conforme o IBGE. A inflação de serviços subjacentes -- que excluem preços mais voláteis -- passou de 0,56% para 0,57% no período, conforme cálculos do banco Bmg, enquanto a taxa de serviços intensivos em mão de obra foi de 0,77% para 0,64%.

No geral, os números do IPCA não alteraram a expectativa de início do ciclo de reduções da taxa básica Selic, hoje em 15%, em março, mas ainda há dúvidas sobre qual será o tamanho do primeiro corte: 25 ou 50 pontos-base.

Em evento do BTG Pactual pela manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse não ver justificativa para o atual nível de juros reais no Brasil -- patamar que, segundo ele, gera efeito de alta sobre a dívida pública que o governo não consegue contrapor com “nenhum nível de superávit primário”.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

“O dado (do IPCA) manteve em aberto o debate sobre o tamanho do próximo corte de juros na reunião de março (do BC), com apostas divididas entre 25 e 50 pontos-base”, pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

“Ainda assim, o Brasil segue com um elevado diferencial de juros, que, aliado ao fluxo estrangeiro para bolsa e renda fixa, tem sustentado o bom desempenho do real neste ano”, acrescentou.

Neste cenário, o dólar à vista variou entre a mínima de R$5,1846 (-0,08%) às 11h34 e a máxima de R$5,2130 (+0,47%), em uma sessão de liquidez reduzida e oscilações em margens estreitas.

Durante a tarde, os investidores também seguiram atentos ao evento do BTG Pactual, que se voltou para o atual cenário da economia brasileira.

Ex-secretário do Tesouro e atualmente economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida foi uma das vozes incisivas no evento, ao fazer previsões negativas sobre a área fiscal e ao atribuir as melhoras recentes de alguns indicadores do país a fatores internacionais, e não às ações do governo Lula.

Mesmo assim, o dólar encerrou o dia pouco acima da estabilidade e ainda abaixo dos R$5,20. No exterior, a divisa subia ante alguns pares do real e em relação a divisas fortes como o euro e a libra. Na comparação com o iene, o dólar tinha queda forte.

Às 17h31, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, incluindo o iene -- caía 0,15%, a 96,802.

(Reportagem adicional de Bernardo Caram, em Brasília. Edição de Pedro Fonseca)

Artigos Relacionados