Dólar sobe com correção de mercado e leilão do BC
Guerra no Oriente Médio também perde pressão e dólar cai no exterior
Reuters - O dólar fechou a quarta-feira com leve viés positivo ante o real, em um dia de correção após forte queda na véspera e de leilão de swap cambial reverso do Banco Central.
O sinal positivo do dólar no Brasil contrastou com o exterior, onde a moeda norte-americana cedeu ante quase todas as demais divisas, em meio à expectativa de que Irã e EUA possam chegar a um acordo para encerrar a guerra.
O dólar à vista fechou com leve alta de 0,17%, aos R$4,9207. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,35% ante o real.
Às 17h04, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,19% na B3, aos R$4,9505.
Após abrir a sessão em baixa, acompanhando o viés negativo no exterior, o dólar passou a exibir leves ganhos ante o real nesta quarta-feira, após o BC ter vendido em leilão 10.000 contratos de swap cambial reverso, no valor de US$500 milhões.
A operação com swaps reversos, realizada pelo BC às 9h20, tem o efeito equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Na prática, isso representa um impulso de alta para o dólar no mercado futuro -- que, por ser o mais líquido, tende a puxar as cotações também no mercado à vista.
Ao contrário do que fez em outras ocasiões, o BC não promoveu nesta quarta-feira, juntamente com o leilão de swap reverso, um leilão de venda à vista de dólares -- operações simultâneas conhecidas no mercado como "casadão".
Ao atuar apenas por meio do swap reverso, o BC facilita que investidores atualmente comprados no mercado futuro -- ou seja, posicionados para a alta das cotações do dólar -- reduzam essas posições.
Para o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, a atuação do BC com swap reverso permite a redução de posições compradas em dólar no mercado futuro em um momento em que o cenário externo aponta para uma moeda norte-americana mais fraca. Em outros momentos, quando a pressão para as cotações era de alta, o BC promoveu vendas de swaps tradicionais -- operações equivalentes à venda de dólares no mercado futuro.
"O BC atua pontualmente para ajudar na liquidez, faz isso para os dois lados", comentou Bergallo. "Me parece que segue uma posição autônoma em relação a não buscar definir qual a cotação de equilíbrio, já que ela não existe. (A atuação) é apenas para corrigir movimentos muito agudos", acrescentou.
O noticiário sobre a guerra justificou os movimentos agudos. Após o início do conflito, no fim de fevereiro, o dólar saiu da faixa dos R$5,13 para um pico de R$5,31 em 13 de março, no auge das preocupações do mercado, para depois se reaproximar dos R$4,90 na sessão desta quarta-feira, em meio à expectativa de um acordo de paz.
Desde 8 de novembro de 2016 o BC não realizava uma operação semelhante à desta quarta-feira -- ou seja, de venda de swap cambial reverso, sem negociação simultânea de dólar à vista.
A diminuição de posições compradas em dólar no mercado futuro pode fazer sentido para muitos investidores justamente por conta da melhora do cenário geopolítico no Oriente Médio. No início do dia, uma fonte paquistanesa familiarizada com as conversas diplomáticas afirmou que Irã e EUA estão perto de um acordo sobre um memorando de uma página para encerrar o conflito no Golfo Pérsico.
A informação surgiu após o site Axios ter noticiado que a Casa Branca acredita estar perto de um memorando para encerrar a guerra com o Irã, depois que o presidente norte-americano Donald Trump suspendeu uma missão naval de três dias para reabrir o Estreito de Ormuz.
Durante a tarde, Trump reforçou a expectativa de um acordo. "Estamos indo muito bem no Irã. Está tudo indo muito bem, e veremos o que acontece. Eles querem fazer um acordo, querem negociar", disse Trump em um evento na Casa Branca. A jornalistas, Trump disse ainda que é muito possível que Washington e Teerã fechem um acordo.
A esperança de um acordo conduziu a queda do dólar ante quase todas as demais divisas globais, incluindo pares do real como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.
O Brasil foi uma exceção, com o dólar em leve alta ante o real durante a maior parte do dia, na esteira do leilão do BC. Profissionais do mercado também pontuaram que, após o forte recuo da véspera, para o menor valor desde janeiro de 2024, era de se esperar algum ajuste de alta nas cotações do dólar ante o real.
No fim da manhã, o BC realizou outro leilão, mas sem efeito sobre as cotações, no qual vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional, para rolagem do vencimento de 1º de junho.
À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$9,291 bilhões em abril, revertendo o forte fluxo negativo de US$6,350 bilhões contabilizado em março, primeiro mês da guerra no Oriente Médio.
(Edição de Isabel Versiani)


