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Dólar sobe com tensão no Estreito de Ormuz

Cenário internacional pressiona moedas emergentes

Notas de dólar (Foto: Dado Ruvic/Reuters)

Reuters - O dólar fechou a segunda-feira com leve alta ante o real, acompanhando o avanço quase generalizado da moeda norte-americana no exterior, após notícias de novas ações militares do Irã no Estreito de Ormuz e ataques do país a áreas dos Emirados Árabes Unidos.

O dólar à vista fechou o dia em alta de 0,31%, aos R$4,9679. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular queda de 9,49% ante o real.

Às 17h03, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,43% na B3, aos R$5,0020.

A moeda norte-americana oscilou em alta durante praticamente todo o dia, ainda que com variações modestas, em meio à reescalada do conflito no Oriente Médio.

Os EUA afirmaram que alguns de seus destróieres estavam dentro do Golfo Pérsico e que dois navios mercantes com bandeira norte-americana cruzaram o Estreito de Ormuz em segurança, o que foi negado pelos iranianos. O Irã disse ter disparado contra um navio de guerra norte-americano que se aproximava do estreito, forçando-o a retornar.

As autoridades iranianas divulgaram ainda um mapa com uma área marítima expandida agora sob seu controle, que se estende muito além do Estreito de Ormuz para incluir vastas áreas de águas internacionais, incluindo longos trechos do litoral dos Emirados Árabes Unidos -- que sofreram ataques do Irã com drones e mísseis.

Conforme a Coreia do Sul, houve ainda uma explosão e um incêndio em um de seus navios mercantes, mas não estava claro se a embarcação foi alvo de um ataque.

Neste cenário, o dólar subia em relação a moedas de países emergentes e exportadores de commodities e ante uma cesta de divisas fortes.

“O exterior influenciou as cotações no Brasil, ainda em função do imbróglio no Oriente Médio”, comentou durante a tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Ainda assim, a divisa se manteve abaixo dos R$5,00.

“Com o dólar perto dos R$5,00, alguns exportadores saem vendendo e há operações de ‘stop loss’ (parada de perdas). Isso realmente tem segurado as cotações do dólar, que segue com tendência de queda”, acrescentou Rugik. “Se não fosse o problema da guerra, ele poderia estar até mais baixo.”

No boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,25. Já a inflação esperada para este ano subiu de 4,86% para 4,89% e para 2027 permaneceu em 4,00%.

Sem efeitos para as cotações, na agenda doméstica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medida provisória instituindo o Novo Desenrola -- programa do governo federal para negociação de dívidas de pessoas físicas, micro e pequenas empresas e pequenos produtores rurais. Até R$15 bilhões em garantias da União serão usados para viabilizar juros mais baixos aos devedores, com um impacto fiscal de até R$5 bilhões.

Às 17h08, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,29%, a 98,447.

(Edição de Isabel Versiani)

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