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Alckmin critica taxa de juros alta e defende modelo de inflação do Fed, que exclui energia e alimentação

"Deveríamos verificar o modelo do Fed, que exclui energia e alimentação da análise da inflação para definição da taxa de juros", disse o vice-presidente

Geraldo Alckmin, 4 de maio de 2026 (Foto: André Neiva / Flickr Vice-Presidência da República)

247 - O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta segunda-feira (4) que o Brasil deveria considerar o modelo adotado pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, para definir a meta de inflação. A declaração foi feita durante evento na Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, informa o jornal Folha de São Paulo.

Alckmin voltou a criticar o nível atual da taxa de juros no país. "O problema que nós temos é essa taxa de juros absurdamente alta. Nós deveríamos verificar o modelo do Federal Reserve, que exclui energia e alimentação da análise da inflação para definição da taxa de juros", afirmou.

Modelo do Fed

O vice-presidente se referiu ao uso de indicadores que desconsideram itens mais voláteis, como alimentos e energia, prática adotada pelo Fed ao acompanhar o núcleo do índice de preços para gastos de consumo pessoal.

Alckmin já havia defendido proposta semelhante anteriormente. Em março do ano passado, ele afirmou que a exclusão desses itens deveria ser avaliada pelo Banco Central. "Eu acho que é uma medida inteligente a gente realmente aumentar o juro naquilo que pode ter mais efetividade na redução da inflação", declarou na ocasião.

O comentário foi feito durante o lançamento da pesquisa Swedish Business in Brazil 2026. O levantamento apontou que empresários suecos que atuam no país têm como principais preocupações os juros elevados, a inflação e a instabilidade política.

Juros e guerra

Durante o evento, Alckmin também disse que a taxa de juros no Brasil apresenta queda, mas em ritmo abaixo do esperado. "Era para estar numa queda mais acentuada, mas a guerra trouxe um fato que se sobrepôs. Nós não temos como parar a guerra, mas devemos minimizar os seus efeitos", afirmou.

O vice-presidente associou a preocupação com os juros ao lançamento de iniciativas do governo federal. Entre elas, o programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas. "A taxa de juros é absurda, então o Desenrola é necessário. Vai ajudar as famílias, com a possibilidade de desconto de até 90%. Vai garantir juros mais baixos, de 1,99%, e atende também pequenas empresas", disse.

Move Brasil

Alckmin também mencionou o programa Move Brasil, com R$ 21,1 bilhões em crédito, e a redução de impostos sobre diesel e energia como medidas voltadas à melhoria do ambiente econômico. A pesquisa divulgada pela Câmara de Comércio Sueco-Brasileira indica ainda que 63% das empresas suecas no Brasil esperam ampliar compras de fornecedores europeus com a implementação do acordo comercial.

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