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'Elefante pintado de azul e ninguém viu?', diz Dino em referência ao Banco Master

Ministro do STF critica falhas de fiscalização ao comentar fraudes envolvendo o Banco Master

Ministro Flávio Dino (Foto: Gustavo Moreno/STF)

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino utilizou uma metáfora incomum para criticar falhas de fiscalização no mercado financeiro ao comentar irregularidades relacionadas ao Banco Master. A declaração ocorreu nesta segunda-feira (4) durante audiência pública sobre a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na qual o magistrado questionou como situações consideradas evidentes não foram detectadas a tempo.

Segundo a Folha de São Paulo, Dino associou os recentes escândalos financeiros a “elefantes pintados de azul” que estariam visíveis a todos, mas ainda assim ignorados por diferentes setores. Para o ministro, a responsabilidade pelas falhas não se limita a um único agente, envolvendo tanto instituições públicas quanto o mercado financeiro, o que torna, segundo ele, "todo mundo dono de uma parcela nesse condomínio".

Crítica à fiscalização e ao mercado

Durante a audiência, Dino destacou que práticas fora do padrão deveriam ter despertado atenção imediata. Ele citou como exemplo a emissão de produtos financeiros com rendimentos elevados, acima da média de mercado.

“Vamos imaginar que um banco lastreado, por exemplo, nesses precatórios, nesses créditos, ele próprio ou com ajuda de outros bancos, começa a emitir CDBs pagando 130%, 140% do CDI sendo que, para mim, que sou um poupador popular, classe média, chama atenção”, afirmou.

A fala foi feita no contexto de discussões sobre a capacidade de fiscalização da CVM, em meio às fraudes atribuídas ao banco ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Dino é relator de uma ação direta de inconstitucionalidade apresentada pelo partido Novo, que questiona mudanças na cobrança da taxa de fiscalização da autarquia.

“Elefante azul” e questionamento sobre omissões

Ao aprofundar sua crítica, o ministro recorreu à metáfora para ilustrar o que considera evidências claras de irregularidades que não teriam sido devidamente observadas.

 “Eu me impressiono, e não é de hoje, eu ando em Brasília exercendo cargo desde 1999, eu nunca vi tanto elefante pintado de azul desfilando por essa Esplanada. Tanta coisa absurda. E a minha indagação como servidor do Estado brasileiro é: ninguém viu? Como ninguém viu? O elefante é grande, está pintado de azul desfilando na frente de todo mundo”, disse Dino.

Responsabilidade compartilhada

Na avaliação de Dino, os problemas identificados não podem ser atribuídos apenas a um único setor. Ele afirmou que os “absurdos” observados envolvem tanto os Três Poderes quanto agentes do mercado financeiro.

Para o ministro, essa dinâmica configura uma espécie de responsabilidade coletiva, em que diferentes instituições teriam participação, direta ou indireta, na falta de controle sobre práticas consideradas irregulares.

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