Durigan critica atuação do BC sobre "soluços" e diz que "há espaço para novos cortes" nos juros
Ministro da Fazenda defende que Banco Central não reaja a choques temporários e vê condições para nova queda da Selic
247 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que ainda há espaço para novos cortes da Selic, atualmente em 14,25% ao ano, e defendeu que o Banco Central não deve orientar a política monetária por choques temporários, como a guerra no Oriente Médio, mas sim pelo comportamento da inflação no médio e longo prazo. Em entrevista ao Metrópoles, Durigan avaliou que episódios de curta duração, que chamou de “soluços”, não deveriam determinar a atuação do BC. A declaração foi feita após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25%, em decisão anunciada na quarta-feira (17).
“A política monetária não deveria atuar sobre esse tipo de soluço ou intercorrência de curto prazo, como foi o caso da guerra, porque agora já estamos vendo um arrefecimento, já estamos com o preço do petróleo em um patamar mais baixo. Então o BC, cumprindo com o horizonte que eles estão vendo, eu sigo achando que há espaço para novos cortes”, afirmou o ministro.
Apesar da redução da Selic, o Banco Central deixou em aberto os próximos passos da política monetária, em um cenário de maior cautela diante dos riscos para a inflação. No mercado financeiro, parte dos analistas interpreta o comunicado do Copom como um sinal de que o ciclo de queda dos juros pode estar perto do fim, possivelmente já na reunião prevista para agosto.
Durigan ressaltou que a definição da Selic é atribuição do Banco Central, mas afirmou que o governo continuará atuando para contribuir com a redução da inflação, especialmente por meio da responsabilidade fiscal. Ele citou como exemplo o bloqueio de R$ 23 bilhões no orçamento deste ano.
“Isso sem dúvida nenhuma é uma competência do BC, eu estou aqui simplesmente expondo a posição que eu penso, entendendo que, no curto prazo, no que for possível o governo ajudar, o governo fará, com responsabilidade fiscal, sem alterar as metas, inclusive bloqueando R$ 23 bilhões no orçamento, cortando na própria carne. E o BC fazendo o papel de olhar para o horizonte relevante e ir ajustando a política monetária a médio e longo prazo”, disse.
O ministro também reconheceu que a inflação segue sendo motivo de preocupação, embora tenha avaliado que o quadro permanece sob controle. Segundo ele, o governo não ignora a percepção da população sobre o custo dos alimentos, sobretudo diante do peso da comida no orçamento das famílias.
Durigan afirmou que a administração federal tem adotado medidas pontuais, como ações relacionadas aos combustíveis, mas rejeitou qualquer política de controle de preços. Para o ministro, o principal compromisso do governo é manter uma trajetória fiscal capaz de reforçar a confiança sobre a queda da inflação.
Ao defender novos cortes da Selic, Durigan buscou separar choques externos de curto prazo da tendência mais ampla da economia. Na avaliação do ministro, o Banco Central deve calibrar os juros considerando o horizonte relevante da política monetária, enquanto o governo atua para preservar as metas fiscais e reduzir pressões inflacionárias.



