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Durigan diz que governo já elabora programa para renegociar dívidas: 'temos o diagnóstico'

Proposta mira famílias, trabalhadores informais e microempreendedores individuais, além de evitar novos ciclos de inadimplência. Vídeo

Dario Durigan (Foto: Washington Costa/Fazenda)

247 - O governo prepara um programa para renegociar dívidas no Brasil e já possui um diagnóstico sobre o endividamento das famílias, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça-feira (7), em Brasília (DF). A proposta mira famílias, trabalhadores informais e microempreendedores individuais, com foco em oferecer melhores condições de pagamento e evitar novos ciclos de inadimplência.

As declarações foram feitas durante entrevista a jornalistas na capital federal. Durigan detalhou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estruturou estudos sobre crédito, juros e comportamento recente da dívida das famílias, incluindo os efeitos do programa Desenrola.

Segundo o ministro, a equipe econômica já mapeou fatores centrais do problema. “Diagnóstico da correlação entre taxa de juros, endividamento das famílias, o que aconteceu depois do (programa) Desenrola, quais linhas de crédito mais caras”, afirmou.

Durigan indicou que o novo programa terá alcance amplo e foco social. “família, trabalhador informal, MEI (Microempreendedor individual), em que a gente consiga renegociar dívida e ofereça uma condição melhor para essas pessoas”, disse.

A proposta também prevê mecanismos para evitar que beneficiários voltem a se endividar em curto prazo. “Como contrapartida, o que a gente tem discutido muito é ter uma contrapartida em que a gente limite um posterior endividamento dessas pessoas, como por exemplo com apostas digitais, para que a gente não desafogue, não desenrole as pessoas e num ato seguinte as pessoas voltem a se endividar”, acrescentou.

Estatísticas

O anúncio ocorre em meio a um cenário de alto comprometimento financeiro das famílias brasileiras. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 79,5% das famílias tinham algum tipo de dívida em janeiro, igualando o maior nível já registrado.

O levantamento também aponta que o endividamento atinge com mais intensidade as famílias de menor renda. Entre aquelas que recebem até três salários mínimos, o índice chega a 82,5%. Já nas famílias com renda acima de dez salários mínimos, o percentual cai para 68,3%. O salário mínimo está fixado em R$ 1.621 desde janeiro.

O cartão de crédito lidera como principal modalidade de dívida, presente em 85,4% dos casos. Na sequência aparecem carnês (15,9%), crédito pessoal (12,2%), financiamento habitacional (9,6%) e financiamento de veículos (8,7%). Outras modalidades incluem crédito consignado (6%), cheque especial (3,4%), outras dívidas (2,5%) e cheque pré-datado (0,3%).

O comprometimento médio das famílias com dívidas chega a 7,2 meses, enquanto cerca de 29,7% da renda mensal é destinada ao pagamento dessas obrigações. Uma em cada cinco famílias afirma ter mais da metade dos rendimentos comprometidos.

Apesar do alto nível de endividamento, a inadimplência apresenta recuo. Em janeiro, 29,3% das famílias tinham contas em atraso, o terceiro mês consecutivo de queda. Em outubro, o índice estava em 30,5%. A dificuldade de pagamento permanece mais intensa entre os mais pobres: 38,9% das famílias com renda de até três salários mínimos registram atrasos, contra 14,9% entre os que ganham mais de dez salários mínimos.

O tempo médio de atraso nos pagamentos ficou em 64,8 dias. A pesquisa ainda indica que 12,7% das famílias afirmam não ter condições de quitar dívidas em atraso.

A CNC destaca que o crédito pode estimular o consumo e movimentar a economia, mas alerta que o aumento da inadimplência sinaliza dificuldades na capacidade de pagamento. O cenário se agrava com o nível elevado da taxa básica de juros. A Selic está em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, o que encarece o crédito e reduz o espaço no orçamento das famílias.

Com juros altos, o acesso a financiamentos fica mais restrito e o consumo perde força, o que desacelera a atividade econômica e impacta a geração de empregos. Nesse contexto, o programa em elaboração pelo governo busca atuar diretamente sobre um dos principais gargalos da economia doméstica: o elevado endividamento das famílias brasileiras.

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